A polícia da Turquia invadiu a sede do Partido Republicano do Povo (CHP), principal sigla de oposição do país, neste domingo (24), com uma tropa de choque e disparos de gás lacrimogêneo, para expulsar o presidente do partido, Ozgur Ozel, do prédio localizado na capital Ancara.
O político foi destituído da liderança do CHP na quinta-feira (21), após um tribunal anular os resultados do congresso que o elegeu em 2023 citando irregularidades. No domingo, o governador de Ancara ordenou a expulsão das pessoas que estavam dentro da sede.
No lugar de Ozel, o tribunal realocou o ex-presidente do CHP, Kemal Kilicdaroglu, que perdeu para o presidente Recep Tayyip Erdogan nas eleições para a Presidência da Turquia em 2023.
“Estamos sob ataque”, disse Ozel em vídeo compartilhado no X enquanto as forças de segurança entravam. Após sair do prédio devido à intervenção policial, o político falou com jornalistas enquanto apoiadores aplaudiam e vibravam.
“A partir de agora, o Partido Republicano do Povo está nas ruas, nas praças, marchando rumo ao poder”, disse ele aos apoiadores, antes de conduzi-los em direção ao Parlamento turco. O líder deposto do CHP convocou seus apoiadores a protestar em três locais na maior cidade da Turquia, Istambul, na noite deste domingo.
Antes da ação policial, Ozel condenou a decisão como um “golpe judicial” e prometeu combatê-la por meio de recursos legais e permanecer “dia e noite” na sede em Ancara.
Ozel pediu no sábado (23) que um novo congresso do CHP fosse realizado o mais rápido possível, enquanto Kilicdaroglu disse que um pleito seria realizado em um momento “apropriado”. Deputados do CHP elegeram Ozel no sábado como líder da bancada parlamentar do partido.
A próxima eleição nacional da Turquia está marcada para 2028, mas precisaria ser antecipada se Erdogan, aos 72 anos e enfrentando um limite de mandato, quiser concorrer novamente. A decisão judicial aumenta as chances de uma votação antecipada, segundo analistas.
O governo, por sua vez, nega críticas de que usa os tribunais para atacar rivais políticos, afirmando que o Judiciário é independente.
A mídia estatal informou no sábado que a polícia turca deteve 13 pessoas em uma investigação sobre o congresso de 2023 do CHP. Eles enfrentam acusações de violar a lei sobre partidos políticos, aceitar suborno e lavagem de ativos provenientes de crime.




