China ordena remoção de aplicativos de namoro LGBTQIA+ – 11/11/2025 – Mundo

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Autoridades da China ordenaram a remoção de duas populares plataformas de namoro voltados para pessoas LGBTQIA+ das lojas de aplicativos do país, confirmou a Apple nesta terça-feira (11).

“Após uma ordem da Administração do Ciberespaço da China (ACC), retiramos esses dois aplicativos apenas da loja chinesa”, declarou um porta-voz da Apple. “Respeitamos as leis dos países nos quais operamos.”

O casamento entre pessoas do mesmo sexo não é legalizado na China. Segundo ativistas, a repressão à comunidade LGBTQIA+ tem se intensificado nos últimos anos, e as autoridades censuram frequentemente eventos e publicações.

A ACC, órgão que regula a internet e principal responsável pela censura no país, anunciou em setembro uma campanha de dois meses contra redes sociais acusadas de difundir “uma visão negativa da vida”.

No fim de semana, usuários de redes sociais chinesas apontaram que as versões completas dos aplicativos Blued e Finka, que têm o mesmo proprietário com sede em Hong Kong, desapareceram das lojas da Apple e do Android.

No entanto, uma versão limitada do Blued seguia disponível nesta terça-feira na App Store chinesa, e alguns usuários disseram que os aplicativos ainda podem ser utilizados se já estiverem instalados nos celulares.

Zhao Hu, um advogado de longa trajetória na defesa dos direitos LGBTQIA+, disse à AFP que a decisão da Administração do Ciberespaço é inesperada e “sem qualquer explicação”.

Por sua vez, Hu Zhijun, cofundador da organização PFLAG China —que defende a comunidade LGBTQIA+—, condenou a remoção dos aplicativos, que segundo ele ajudaram homens gays a “levar uma vida mais estável e a encontrar parceiros para relações íntimas”.

“Deveriam ter sido vistos como algo positivo, uma iniciativa socialmente benéfica”, afirmou à AFP.

Fora da China, é possível baixar uma versão internacional do Blued, chamada HeeSay, que afirma ter 54 milhões de usuários LGBTQIA+ em todo o mundo, de acordo com a descrição do aplicativo na loja da Apple.

A homossexualidade foi descriminalizada na China há quase três décadas, em 1997. No entanto, embora a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo tenha sido sinalizada como uma demanda da população pela Assembleia Popular Nacional, em 2019, essa conquista ainda parece distante.

Durante a pandemia de Covid-19, o Ministério da Educação orientou as escolas a “cultivar a masculinidade dos alunos”, argumentando que os jovens chineses estavam se tornando muito femininos. A ShanghaiPride, evento que vinha se consolidando em Xangai, desapareceu com o início da pandemia e nunca mais voltou.

Em 2022, outro popular aplicativo de encontros para gays, o Grindr, foi removido das lojas chinesas como parte de uma campanha da ACC antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim.



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