Muitos turistas encaram a cidade de Lahaina como um lugar a ser visitado para curtir praias tropicais. Mas para os havaianos, ela é um fértil tesouro histórico.
Seu museu histórico, que ocupa o recinto de um tribunal também histórico, abriga artefatos que datam de antes de o resto do mundo saber que o Havaí existia. Sua construção mais antiga, Baldwin Home, era ocupada por um médico do século 19 que salvou o Maui de uma epidemia de varíola. A atração central da cidade, uma enorme figueira-de-bengala de 150 anos de idade, foi plantada para comemorar a chegada de missionários cristãos em 1873.
Na quarta-feira esse legado e muito mais parecia ter sido reduzido a cinzas, consumido por incêndios alimentados por furacões que devastaram a ilha de Maui, arrasando em questão de horas boa parte do distrito histórico de Lahaina, no passado a capital real do Havaí.
“Não tivemos preparo, nenhum aviso prévio, nada“, disse Theo Morrison, diretor executivo da Fundação de Restauração de Lahaina, que cuida de mais de uma dúzia de sítios históricos da cidade. Moradora de longa data da cidade e mãe de um bombeiro que a vem mantendo informada sobre a destruição, ela falou desde um aeroporto da costa leste dos EUA na quarta-feira. Ela havia deixado o Maui um dia antes de os incêndios começarem, na noite de terça, para viajar à Europa para cuidar de negócios da família.
“Se eu soubesse o que ia acontecer, não teria partido”, disse Morrison. Atiçados pelo vento, os incêndios consumiram áreas próximas cobertas de capim e devastaram a cidade histórica e turística.
A julgar por fotos de veículos noticiosos, a mansão Baldwin Home, onde fica o escritório principal da fundação, foi totalmente incinerada. A primeira parte dela a pegar fogo foi o telhado, disse Morrison.
A casa continha cadeiras de balanço de madeira que a família do reverendo Dwight Baldwin enviou de navio da casa dela, na costa leste dos EUA, na década de 1830, além da coleção de conchas antigas do filho da família e de instrumentos médicos que Baldwin, que era missionário e também médico, usou para vacinar boa parte da população da ilha contra a varíola.
“O telhado do Tribunal Antigo de Lahaina está completamente destruído”, disse Morrison. “E o belo museu histórico que tínhamos ali, também. O andar de cima tinha artefatos havaianos antigos, coisas da monarquia e dos períodos da monocultura e da caça às baleias –objetos de todas as eras de Lahaina.”
Cidade de Lahaina, no Havaí, antes e depois de incêndios florestais
Ao menos 36 pessoas morreram e milhares foram retirados de localidade turística e histórica na ilha de Maui
– Maxar Technologies via Reuters e AFP
Ela disse que a maioria dos documentos importantes do museu foi preservada online. Ela espera que, quando os incêndios se acalmarem, a ilha consiga restaurar pelo menos algumas das construções destruídas.
Mas ela está se preparando para encarar perdas enormes.
“Esta é a coisa mais destrutiva que aconteceu em toda a história desta cidade”, disse Morrison.
Tradução de Clara Allain




