Epstein disse que era ‘capaz de derrubar’ Trump, diz email – 13/11/2025 – Mundo

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A longa amizade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com Jeffrey Epstein chegou a um aparente fim em meados dos anos 2000. Mas Epstein permaneceu ainda focado em Trump por anos, buscando explorar os resquícios de seu relacionamento até ser preso por acusações federais de tráfico sexual, em 2019. Epstein morreu na prisão naquele ano.

Em mais de 20 mil páginas de emails repletos de erros de digitação e outras mensagens de Epstein divulgadas por um comitê do Congresso americano nesta quarta-feira (12), Epstein insultou Trump e insinuou que possuía informações comprometedoras sobre ele.

Ora em tom de fofoca, ora mordazes e conspiratórias, as mensagens mostram pessoas influentes pressionando Epstein por informações sobre Trump, e Epstein se apresentando como o intérprete definitivo de Trump, alguém que o conhecia intimamente e era “o único capaz de derrubá-lo”.

A divulgação das mensagens imediatamente volta a colocar a já muita explorada relação entre os dois nos holofotes, reanimando ataques democratas a Trump e a seu Departamento de Justiça por não divulgarem a totalidade das informações relativas à investigação sobre Epstein.

Os emails revelados datam ao menos de 2011, quando Trump era ainda uma estrela de reality show brincando com uma improvável candidatura presidencial e Epstein tentava reabilitar sua imagem após outras condenações e encarceramento por solicitar prostituição de uma menor. As mensagens continuam até 2019, quando Trump já era presidente, durante o primeiro mandato, e seu Departamento de Justiça estava construindo um caso criminal contra Epstein.

As mensagens sugerem que Epstein ou seus conselheiros acreditavam ter conhecimento potencialmente prejudicial sobre as propriedades e negócios de Trump. Algumas sugerem que Epstein pensava que Trump sabia mais sobre sua conduta pessoal do que o presidente reconheceu publicamente.

O acervo não parece incluir mensagens de Trump ou de qualquer pessoa alegando falar em seu nome. O presidente respondeu nas redes sociais nesta quarta-feira, escrevendo que “os democratas estão usando a fraude sobre Jeffrey Epstein para tentar desviar a atenção de seus fracassos massivos, em particular, o mais recente —O SHUTDOWN!” [a paralisação do governo americano, encerrada nesta quinta].

Os emails, o mais recente lote de documentos relacionados a Epstein divulgados, foram obtidos do espólio do financista em resposta a uma intimação de um comitê do Congresso. Eles oferecem uma janela clara para suas comunicações diárias com amigos e associados.

É improvável que a divulgação das novas informações acalme o furor em torno do relacionamento Trump-Epstein. Uma parte central da base de Trump acredita que a maior parte dos documentos, arquivos de áudio e vídeo relacionados a Epstein estão em posse do FBI e do Departamento de Justiça. Uma parte desses documentos foi divulgada apenas em pequenos lotes selecionados.

Os contornos básicos do relacionamento deles são conhecidos há muito tempo. Trump e Epstein eram amigos nas décadas de 1980 e 1990, frequentando eventos sociais juntos em Nova York ou Flórida. Uma das ex-namoradas de Epstein acusou Trump de apalpá-la, uma acusação que Trump negou. Trump disse que cortou laços com Epstein depois que seus associados recrutaram adolescentes de sua propriedade Mar-a-Lago.

Mas os novos emails mostram que Epstein estava acompanhando de perto as decisões de negócios e o destino político de Trump.

Em abril de 2011, Epstein escreveu para sua ex-namorada Ghislaine Maxwell, que mais tarde foi condenada por ajudar a orquestrar a operação de tráfico sexual de Epstein, que Trump era o “cão que não latiu”. Uma das vítimas de Epstein, Virginia Giuffre, havia recentemente se manifestado publicamente sobre suas experiências com Epstein, contando a um tabloide britânico que ele a havia abusado e traficado para outros homens, e fornecendo ao veículo uma foto agora famosa dela com o príncipe Andrew e Maxwell. Giuffre morreu em abril deste ano.

O email dizia que Giuffre havia “passado horas em minha casa com ele” [Trump] mas que o republicano “nunca foi mencionado uma única vez” [em investigações e depoimentos]. Giuffre disse em um depoimento de 2016 que Trump nunca teve relações sexuais ou flertou com ela.

Em 2012, Epstein enviou um email a um de seus advogados, Reid Weingarten, e sugeriu que ele conseguisse alguém para investigar as finanças de Trump, incluindo a hipoteca do resort em Mar-a-Lago e um empréstimo de US$ 30 milhões que Epstein disse que Trump havia recebido. Procurado na quarta-feira pelo New York Times, Weingarten recusou-se a comentar.

Em março de 2016, Epstein estava se preparando para a publicação de um livro, “Filthy Rich” [algo como “Podre de rico”, em inglês], que detalhava acusações contra ele. O jornalista Michael Wolff, que tinha um relacionamento de longa data com Epstein, disse-lhe que ele precisava apresentar uma “contra-narrativa” ao livro que seria lançado.

“Acredito que Trump oferece uma oportunidade ideal”, escreveu Wolff. “É uma chance de fazer com que a história seja sobre algo além de você”. Não está claro se Epstein respondeu à mensagem e agiu conforme o conselho de Wolff.

Alguns meses depois, Wolff disse a Epstein que entrevistaria Trump. “Alguma coisa que você acha que eu deveria perguntar?”, escreveu.

Epstein respondeu com uma lista de perguntas provocativas, incluindo sobre a companhia aérea Trump Shuttle, a falência de um cassino dele e suas dívidas. “Caso contrário, você pode apenas fazer perguntas fáceis”, escreveu Epstein.

Wolff não respondeu a um pedido de comentário do New York Times.

Epstein insultou Trump repetidamente. Em um email de janeiro de 2018 para Wolff, o financista referiu-se ao presidente como “donald idiota” e “donald demente”, dizendo que suas finanças eram “tudo uma farsa”.

Mais tarde naquele ano, Epstein trocou emails com Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro e reitor da Universidade Harvard, sobre Trump. Epstein afirmou que o republicano estava “beirando a insanidade”.

Summers recusou-se a comentar e referiu-se a declarações anteriores nas quais reconheceu “lamentar minhas associações passadas com o Sr. Epstein”.

No final de 2018, as autoridades estavam se aproximando de Epstein. Uma série de artigos no jornal The Miami Herald mostrou que o secretário do Trabalho de Trump havia aprovado o acordo judicial de Epstein em 2008. A série do Herald levou o Departamento de Justiça a abrir uma ampla investigação criminal sobre o financista.

Em dezembro daquele ano, Epstein estava trocando mensagens de texto com um conhecido não identificado, que escreveu que “eles estão realmente apenas tentando derrubar Trump e fazendo o que podem para isso…!”

“É uma loucura”, respondeu Epstein. “Porque eu sou o único capaz de derrubá-lo”.

No mês seguinte, Epstein escreveu para Wolff sobre Trump e Mar-a-Lago. “Trump disse que me pediu para renunciar, nunca fui membro”, escreveu Epstein. “É claro que ele sabia sobre as garotas, pois pediu a Ghislaine para parar”. Trump disse que cortou laços com Epstein depois que ele “roubou” Giuffre de Mar-a-Lago, onde ela havia trabalhado como atendente de spa.

Em 13 de junho de 2019 —cerca de três semanas antes de agentes do FBI prenderem Epstein quando ele desembarcava de um avião particular em Nova Jersey— seu contador de longa data, Richard Kahn, disse a Epstein em um e-mail que acabara de revisar o formulário de divulgação financeira federal de Trump. Kahn chamou o formulário de “100 páginas de absurdo”. Ele identificou nove “descobertas interessantes” sobre as dívidas, renda e fundação beneficente de Trump.

Não está claro por que Kahn estava investigando as finanças de Trump ou se Epstein respondeu à mensagem.

Nos meses anteriores, Kahn havia enviado a Epstein numerosos outros emails com links para artigos sobre tópicos como as investigações que Trump enfrentava sobre a interferência russa nas eleições de 2016. Um advogado de Kahn não respondeu a um pedido de comentário do New York Times.

Em outros momentos, Epstein perguntou a conhecidos se eles tinham informações sobre os advogados que estavam representando Trump. Não está claro por que Epstein estava perguntando sobre isso.



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