O texto final da Cúpula da Amazônia, que termina nesta quarta-feira (9) em Belém, no Pará, não fala em barrar novos projetos de exploração de petróleo na Amazônia, citando apenas a ideia de iniciar um diálogo sobre a sustentabilidade do setor de combustíveis fósseis na região. Batizado de Declaração de Belém, o documento foi divulgado nesta terça-feira (8) depois de uma reunião a portas fechadas.
O petróleo foi um dos pontos de dissenso no evento. O presidente colombiano, Gustavo Petro, disse que “falar em transições” é um tipo de negacionismo da esquerda —em referência ao termo usado por governos para justificar o investimento em combustíveis fósseis. Na abertura da Cúpula, o presidente Lula (PT), que indica apoio a estudos para novos pontos de exploração de petróleo na Foz do Amazonas, citou a transição ecológica.
O petista afirmou querer mudar o “lugar subalterno de fornecedor de matéria-prima” da Amazônia. A cúpula é vista como uma prévia da COP (Conferência do Clima da ONU) que Belém vai sediar em 2025 e faz parte da estratégia diplomática do presidente brasileiro, que tenta ser protagonista na questão ambiental.
Na declaração conjunta, os países da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) também propuseram se apresentar como um bloco em negociações multilaterais, o que pode fortalecer as reivindicações para proteger a floresta.
O episódio desta quarta do Café da Manhã discute em que os países que abrigam a floresta convergem e divergem e analisa como a consolidação do bloco formado por eles muda negociações ambientais. O podcast entrevista Ana Carolina Amaral, que assina o blog Ambiência na Folha.
O programa de áudio é publicado no Spotify, serviço de streaming parceiro da Folha na iniciativa e que é especializado em música, podcast e vídeo. É possível ouvir o episódio clicando acima. Para acessar no aplicativo, basta se cadastrar gratuitamente.
O Café da Manhã é publicado de segunda a sexta-feira, sempre no começo do dia. O episódio é apresentado pelos jornalistas Gustavo Simon e Magê Flores, com produção de Carolina Moraes, Laila Mouallem e Victor Lacombe. A edição de som é de Raphael Concli.




