O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reforçou apoio a seu ministro da Saúde, Wes Streeting, após entrevista concedida por aliados afirmarem que Streeting poderia desafiar a autoridade do premiê e disputar a liderança do Partido Trabalhista.
Nesta quarta-feira (12), Starmer foi ao Parlamento para tentar esclarecer a situação e afirmou que “nunca autorizou ataques” a ministros. Ele se referia a uma entrevista concedida a veículos de mídia selecionados na noite de terça em que aliados do premiê disseram que Starmer combateria qualquer desafio à sua liderança, indicando que ela poderia vir de Streeting e da ministra do Interior, Shabana Mahmood.
“Qualquer ataque a qualquer membro do meu gabinete é completamente inaceitável”, disse ele ao Parlamento durante a sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro. “Nunca autorizei ataques a membros do gabinete. Eu os nomeei para seus cargos porque são as melhores pessoas para desempenhar suas funções. Esta é uma equipe unida e estamos trabalhando juntos”, afirmou.
Ele também defendeu seu principal assessor político, Morgan McSweeney, que a líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, mencionou ao descrever a gestão de Starmer no governo como tóxica. Seu porta-voz descreveu a entrevista dos aliados e os relatos dela como “distrações frustrantes do trabalho que o governo está realizando”.
Mais cedo, Streeting foi forçado a negar que estivesse conspirando para derrubar Starmer após a apresentação do próximo orçamento do governo, em 26 de novembro, quando se espera que a gestão quebre uma de suas principais promessas eleitorais ao aumentar os impostos de renda pela primeira vez desde os anos 1970.
“Esse briefing é categoricamente falso”, disse Streeting à Rádio BBC, referindo-se à entrevista polêmica.
Durante a rodada matinal de entrevistas com emissoras, Streeting disse que entrevistas sobre eventual desafio à liderança de Starmer eram contraproducentes porque davam a impressão de que o premiê estava batalhando para permenecer no cargo, quando na verdade estava focado em lutar para melhorar o país.
“Não vou exigir a renúncia do primeiro-ministro”, disse ele à Sky News. “Eu apoio o primeiro-ministro. Tenho feito isso desde que ele foi eleito líder do Partido Trabalhista.”
Após a polêmica, os preços dos títulos públicos britânicos caíram e tiveram desempenho inferior em comparação aos dos EUA e da Alemanha. O valor da libra em relação ao dólar americano também tem queda nesta quarta.
Grande parte da impopularidade atual do Partido Trabalhista tem origem nos aumentos de impostos e nas tentativas fracassadas de cortar gastos com assistência social, mostrando o potencial para que o próximo orçamento do governo seja o próximo ponto conflituoso.
Dois parlamentares trabalhistas expressaram exasperação com a entrevista polêmica, dizendo que ele mostrava mal funcionamento da equipe em torno de Starmer.
Pesquisas de opinião sugerem que Starmer é um dos primeiros-ministros mais impopulares de todos os tempos, e seu partido está atrás do ultradireitista Reform, de Nigel Farage, há meses.
É particularmente difícil, no entanto, destituir um líder trabalhista, porque qualquer desafio precisaria do apoio de 20% dos parlamentares da legenda, o que significa aproximadamente 80 deles apoiando um candidato alternativo.




