
Nesta terça-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas recebeu uma atualização sobre a realidade da guerra na Ucrânia. O informe foi apresentado pela diretora da Divisão da Europa e Ásia Central, Kayoko Gotoh.
O relatório do Departamento dos Assuntos Políticos expõe uma realidade de uma escalada de violência sem precedentes, marcada pela alta de vítimas civis, o colapso de tréguas temporárias e ataques diretos contra operações pacíficas.
O documento ressalta ainda que o custo humano do conflito “dispara a cada dia de inércia”, enquanto a diplomacia formal permanece perigosamente paralisada.
Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, estima-se que pelo menos 15.850 civis já foram mortos, incluindo 791 crianças. Mais de 44 mil feridos foram confirmados.
A violência cruzou as fronteiras, atingindo áreas residenciais na Rússia onde aconteceram bombardeios de larga escala que vitimaram inocentes em Moscou e Ryazan.
O documento das Nações Unidas reitera que a organização condena com veemência as agressões a infraestruturas civis, independentemente de onde ocorram”, classificando-as como graves violações ao direito internacional.
A gravidade da situação atingiu um novo patamar de risco com o registro de ataques deliberados e tecnológicos contra equipes humanitárias internacionais. Veículos da ONU devidamente identificados e em missões previamente notificadas foram alvos de drones nas regiões ucranianas de Kherson e Dnipropetrovsk.
A situação alarmante ameaçou várias operações essenciais do Programa Mundial de Alimentos, WFP, e do Escritório de Coordenação da Assistência Humanitária, Ocha. A ONU fala de um total desrespeito pelas proteções internacionais que garantem que profissionais essenciais operem no contexto de crises.
A instabilidade também prejudica os raros e frágeis avanços alcançados através da mediação global, como o cessar-fogo de três dias violado por ambas as partes e seguido por uma ofensiva russa ainda mais agressiva.
No campo humanitário, o relatório destaca que houve avanços da diplomacia com o início de uma troca em larga escala de 2 mil prisioneiros de guerra, ao ser concordada a libertação das primeiras centenas de soldados.
Paralelamente, a repatriação de crianças ucranianas transferidas à força continua sendo uma prioridade crítica, exigindo avaliações de forma personaliza e focada na preservação da união familiar.
Passado um ano desde a retomada dos diálogos diretos agora suspensos, a ONU adverte que a paralisação da diplomacia abre o caminho para um sofrimento ainda mais profundo.
O pedido feito ao Conselho de Segurança é que sejam criadas condições para a retomada imediata e incondicional das conversações para conter a escalada militar e selar um cessar-fogo definitivo.
Na sessão do Conselho, a secretária-geral assistente para os Assuntos Humanitários, Edem Wosornu, lembrou que neste campo as necessidades crescem de forma alarmante, superando os esforços diplomáticos em curso.
Segundo a vice-chefe humanitária, o auxílio alcança apenas uma fração dos 10,8 milhões de necessitados. Faltam cerca de 75% dos US$ 2,3 bilhões orçados para gastos de auxílio resultando num déficit de quase US$ 1,7 bilhão.
Mais fundos permitiriam oferecer cuidados médicos a civis isolados na linha de frente, estabilizar a vida de famílias deslocadas e garantir presença de entidades humanitárias nas áreas de maior vulnerabilidade.
Diante desse cenário, a proposta feita ao Conselho de Segurança foca no uso da sua influência internacional para garantir que haja respeito ao direito internacional humanitário e o fornecimento de fundos em tempo hábil.
Para a vice-chefe humanitária é imperioso proteger os civis, permitindo sua saída voluntária para zonas seguras, e assegurando o acesso humanitário rápido e sem impedimentos.
O perigo é que sem uma mobilização e financiamento imediatos, a entrega de ajuda seja severamente comprometida, forçando a escolhas impossíveis sobre quem recebe assistência e aprofundando drasticamente o sofrimento da população.
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