Autoridades da Rússia afirmaram nesta sexta-feira (22) que um ataque com drones feito por forças ucranianas atingiu um alojamento estudantil na região de Lugansk, no leste da Ucrânia ocupado pelos russos, matou ao menos seis pessoas e deixou dezenas de feridos, entre eles crianças e adolescentes.
O ataque ocorreu durante a madrugada contra um dormitório da Universidade Pedagógica de Lugansk, ainda segundo as autoridades. No momento da explosão, 86 adolescentes de 14 a 18 anos dormiam no local.
A agência de notícias Reuters não pôde verificar de forma independente as circunstâncias do ataque. Até a manhã desta sexta, a Ucrânia não havia comentado o caso. Tanto Moscou quanto Kiev negam atacar civis de forma deliberada desde o início da guerra, iniciada pela invasão russa em fevereiro de 2022.
A região de Lugansk é uma das quatro áreas do leste ucraniano anexadas de forma ilegal pela Rússia em 2022. A Ucrânia afirma ter como objetivo recuperar o controle do território.
De acordo com Vladimir Putin, o bombardeio foi deliberado. Ele classificou a ação de ataque terrorista e disse que ao menos seis pessoas morreram, 39 ficaram feridas e outras 15 eram consideradas desaparecidas enquanto equipes de resgate continuavam as buscas nos escombros. Também prometeu retaliação e disse ter pedido ao ministro da Defesa russa opções para novas ofensivas.
Já Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, chamou o episódio de “crime monstruoso”. Por sua vez, Maria Lvova-Belova, comissária russa para os direitos das crianças, disse acreditar que 18 menores estejam presos sob os escombros. Algumas das vítimas hospitalizadas estavam em estado grave.
Leonid Pasechnik, principal autoridade nomeada pela Rússia em Lugansk, afirmou que duas pessoas foram retiradas vivas dos destroços.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia comunicou que drones destruíram parte de um prédio de cinco pavimentos e que não havia instalações militares próximas ao local. “A Ucrânia devia saber exatamente o que estava atacando”, escreveu em nota a chancelaria russa, que pediu condenação internacional ao episódio e classificou a ação de um “ataque terrorista sangrento”.
Moscou informou ainda que o Conselho de Segurança da ONU faria uma sessão de emergência em Nova York ainda nesta sexta para discutir o caso.
Fotos e vídeos divulgados pelas autoridades russas mostraram edifícios danificados, partes da estrutura desabadas, incêndios ainda ativos e equipes de resgate retirando vítimas dos escombros.
Na semana passada, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, prometeu retaliação após visitar os escombros de um prédio residencial em Kiev atingido por um míssil russo, num ataque que matou 24 pessoas, incluindo três crianças.



