A província de Alberta, rica em petróleo, vai realizar um referendo não vinculante em outubro sobre se seus moradores querem continuar fazendo parte do Canadá, disse a premiê local Danielle Smith na quinta-feira (21). Apesar de simbólica, a medida pode representar um grande desafio para o primeiro-ministro Mark Carney.
A questão submetida às urnas não vai desencadear a separação, afirmou Smith, mas vai perguntar aos moradores se o governo de Alberta deveria iniciar o processo legal constitucionalmente exigido para realizar um referendo vinculante sobre a independência em uma data posterior.
“É hora de fazer uma votação, entender a vontade dos albertanos sobre esse assunto e seguir em frente”, disse Smith em um pronunciamento televisionado à noite. Ela disse que não era mais útil prolongar um debate “emocional e importante”.
A votação de outubro marcaria a primeira vez na história canadense que uma província fora de Quebec coloca em discussão pública uma possível separação.
O debate promete ser divisivo não apenas dentro de Alberta, mas de forma mais ampla no Canadá, enquanto Carney tenta liderar uma frente canadense unida para lidar com as tarifas dos Estados Unidos e com a renegociação do acordo comercial EUA-México-Canadá nos próximos meses.
“Ao observarmos o pronunciamento da premiê Smith esta noite, continuamos focados em construir um Canadá mais forte para todos, em plena parceria com Alberta e em benefício de todos os albertanos e todos os canadenses”, disse o ministro do Comércio Interno, Dominic Leblanc.
CERCA DE UM TERÇO DOS ALBERTANOS APOIA A SEPARAÇÃO
O anúncio vem após meses de campanha por um grupo expressivo de separatistas, apesar de pesquisas mostrarem que a separação é apoiada por apenas cerca de um terço dos eleitores da província.
Jeff Rath, porta-voz do grupo separatista Stay Free Alberta, criticou as declarações de Smith. Para ele, a questão proposta para a votação gera “um referendo sobre a realização de um referendo” e ignora os albertanos que querem votar diretamente a independência.
Smith, que foi acusada por críticos de alimentar as chamas do separatismo ao reduzir pela metade o número de assinaturas necessárias para provocar um referendo iniciado por cidadãos, disse na quinta-feira que acredita inequivocamente que o lugar de Alberta é no Canadá e que votará nesse sentido.
“Agora não é hora de desistir da esperança em nosso país”, afirmou ela, acrescentando que seu governo havia pressionado com sucesso Carney para reverter várias medidas ambientais de seu antecessor. Muitos albertanos ficaram irritados com essas políticas, que, segundo os críticos, prejudicam a indústria de petróleo e gás da província.
A questão da unidade nacional é altamente sensível no Canadá, particularmente após um referendo em Quebec em 1995 que, por pouco, não aprovou a independência da província.
Após aquela votação, o governo federal aprovou uma legislação dando ao Parlamento a palavra final sobre a redação de qualquer referendo proposto por uma província e estabelecendo condições que devem ser cumpridas antes que Ottawa abra negociações sobre independência.
Separatistas entregaram uma petição no início deste mês que, segundo eles, tinha mais de 300 mil assinaturas —mais do que suficientes para convocar uma votação sobre a saída do Canadá, de acordo com a lei provincial.
O partido de Smith recomendou na quinta-feira que, em vez disso, seja realizado um referendo com base em uma petição diferente, que declara que Alberta deveria permanecer uma província do Canadá. Essa petição reuniu mais de 400 mil assinaturas.
O proponente da petição, Thomas Lukaszuk, disse que ela tinha sido feita para impedir um referendo e que, se o governo de Smith escolher agora colocar sua pergunta sobre permanecer no Canadá em uma cédula, estaria agindo sem seu endosso.




