O estado do Tennessee, nos EUA, cancelou a execução de Tony Carruthers, condenado por envolvimento em três assassinatos em 1994, depois que funcionários não conseguiram encontrar uma veia para administrar as drogas da injeção letal.
O sistema prisional do estado disse em comunicado na quinta-feira (21) que a equipe médica não conseguiu encontrar uma “veia adequada” para administrar as drogas após uma série de tentativas.
Os advogados de Carruthers haviam pedido em recursos de emergência que a execução fosse adiada. O governador republicano, Bill Lee, concedeu uma suspensão na quinta-feira, adiando qualquer execução por um ano.
“O Tennessee efetivamente apresentou argumentos contra a pena de morte”, disse Laura Porter, diretora executiva da Campanha dos Estados Unidos pelo Fim da Pena de Morte.
O caso de Carruthers já havia chamado atenção quando seus defensores argumentaram que ele foi condenado injustamente em conexão com os assassinatos de Marcellos Anderson; sua mãe, Delois Anderson; e Frederick Taylor. Os três foram encontrados enterrados em um cemitério de Memphis, e Carruthers foi acusado junto com outro homem.
Em um julgamento em 1996, Carruthers se defendeu sozinho, apesar de, como escreveu a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) em uma petição recente de clemência, ser “claramente sem capacidade mental para ir a julgamento ou para fazer sua própria defesa”. Advogados que tentaram representá-lo disseram ter sofrido ataques pessoais e abusos, que foram posteriormente atribuídos a doenças mentais.
A organização disse que Carruthers teria sido a primeira pessoa em mais de um século a ser executada após se defender sozinha no julgamento. Os advogados também escreveram na petição de clemência que suas doenças mentais “continuam a prejudicar sua compreensão de sua situação legal e de sua execução iminente”.
Os apoiadores e advogados de Carruthers têm pressionado por novos testes forenses que, segundo eles, poderiam ajudar a provar sua inocência, um pedido que foi negado por vários juízes. Seus advogados também entraram com um pedido de emergência na quarta-feira (20) junto à Suprema Corte dos EUA tentando impedir sua execução. Os ministros negaram seu pedido sem nenhuma divergência pública.
Maria DeLiberato, advogada sênior do Projeto sobre a Pena de Morte da ACLU, disse que sua condenação “já era uma profunda injustiça”.
“Hoje essa injustiça se tornou absolutamente bárbara”, disse. Ela acrescentou que “o Tennessee não pode continuar torturando um homem enquanto se recusa a responder perguntas sérias sobre sua inocência”.
O Tennessee tem enfrentado uma série de problemas com o uso de injeção letal. O estado pausou as execuções por mais de dois anos depois de admitir em 2022 que as drogas do estado não haviam sido devidamente testadas.
Um grupo de presos processou o Tennessee por seu novo procedimento de injeção. E o estado também foi alvo de duras críticas em relação à execução de um prisioneiro que tinha um dispositivo cardíaco que funcionava como marca-passo e desfibrilador.
Vários estados cancelaram execuções de forma semelhante nos últimos anos porque os executores não conseguiram encontrar uma veia.
O Alabama suspendeu todas as execuções por vários meses de 2022 a 2023 após várias execuções em que os funcionários não conseguiram acessar as veias dos prisioneiros. Esses casos, assim como outros no Arizona e em outros lugares, levaram o Centro de Informações sobre Pena de Morte a descrever 2022 como o “ano da execução fracassada”.
Os estados começaram recentemente a autorizar métodos alternativos, incluindo o pelotão de fuzilamento, em grande parte devido a problemas para obter drogas letais. A Carolina do Sul executou três pessoas no ano passado por pelotão de fuzilamento, as primeiras execuções desse tipo nos EUA desde 2010.
Mais três pessoas estão programadas para serem executadas no Tennessee este ano.




