A polícia do Reino Unido anunciou nesta sexta-feira (22) que analisa uma nova acusação de agressão sexual envolvendo Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles 3º. A denúncia formal ainda não foi feita.
As autoridades afirmaram que a investigação contra o ex-príncipe da família real britânica será longa e “extremamente complexa”, diante da dimensão das acusações relacionadas ao caso Jeffrey Epstein.
Andrew foi detido em fevereiro em sua residência em Norfolk e interrogado durante horas sob suspeita de má conduta em cargo público devido aos seus vínculos com o financista. A prisão ocorreu após a divulgação de milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA, incluindo fotografias em que o ex-duque de York aparece ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão.
Andrew sempre negou qualquer irregularidade relacionada a Epstein, embora já tenha declarado publicamente que se arrepende da amizade com o americano. Desde sua prisão, ele não fez novas declarações públicas.
A nova denúncia envolve relatos de que uma mulher teria sido levada a um endereço em Windsor, em 2010, “com fins sexuais”, após a advogada da suposta vítima afirmar à BBC que ela foi enviada ao Reino Unido por Epstein para um encontro sexual com Andrew.
A mulher ainda não formalizou denúncia, mas a polícia disse ter entrado em contato com sua representante legal para assegurar que qualquer relato será tratado “com cuidado, sensibilidade e respeito à privacidade e ao direito ao anonimato” da vítima.
“Esperamos que qualquer vítima ou sobrevivente com informações relevantes se apresente. Nossa porta está aberta”, afirmou Oliver Wright, vice-chefe da polícia de Thames Valley, responsável pela condução do caso.
Na última leva de documentos publicados pelo Departamento de Justiça dos EUA, há emails que sugerem que Epstein convidou Andrew para jantar com uma mulher russa de 26 anos. As mensagens foram trocadas em agosto de 2010, dois anos depois de Epstein confessar ter aliciado uma menor de idade. Não está claro se os casos estão relacionados.
O principal foco da apuração, contudo, é o período em que Andrew atuou como representante especial do Reino Unido para comércio e investimentos, de 2001 a 2011. Segundo emails divulgados pelo governo americano, ele teria compartilhado informações confidenciais com Epstein.
As investigações não resultaram, até o momento, em uma acusação formal contra Andrew.
A polícia incentivou qualquer pessoa com informações sobre o ex-príncipe a procurar as autoridades. Segundo os investigadores, a dimensão internacional do caso e a intensa exposição midiática podem desestimular vítimas a prestar depoimento.
“A investigação examina diferentes aspectos das supostas irregularidades”, afirmou Wright. “Recebemos uma quantidade significativa de informações do público e de outras fontes.”
O episódio representou mais um capítulo na crise envolvendo a família real britânica. O filho da rainha Elizabeth 2ª foi destituído de todos os títulos reais no ano passado, devido aos laços com Epstein.
Foi a primeira vez em quase 400 anos que um membro direto da família real britânica foi preso. Uma condenação por má conduta em cargo público prevê pena máxima de prisão perpétua e deve ser julgada em uma Crown Court, corte de primeira instância que analisa infrações criminais mais graves.




