O Irã afirmou que os Estados Unidos violaram o cessar-fogo após realizarem o que chamaram de ataques defensivos no sul do país. A Guarda Revolucionária do país, em paralelo, afirmou nesta terça (26) que se reserva o direito de retaliar.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que os ataques americanos na província de Hormozgan, no sul do país, representaram uma “violação flagrante” do frágil cessar-fogo em vigor há quase sete semanas.
Ambos os lados indicaram progresso nas negociações em um memorando que poderia interromper a guerra e restabelecer a navegação pelo estreito de Hormuz, atualmente bloqueado, além de conceder aos negociadores 60 dias para negociar questões mais complexas, incluindo o programa nuclear iraniano.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, sinalizou que negociar um acordo para interromper o conflito pode “levar alguns dias”. Após os ataques contra alvos que, segundo os EUA, incluíam embarcações tentando lançar minas e locais de lançamento de mísseis, Rubio disse a jornalistas em seu avião em Jaipur, na Índia, que Hormuz precisa ser aberto “de um jeito ou de outro”.
Apesar da trégua em vigor desde o início de abril, o Comando Central dos EUA afirmou na segunda ter realizado novos ataques com o objetivo de “proteger as tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”.
A Guarda Revolucionária do Irã, que defendeu seu direito de retaliar, afirmou ainda que unidades de defesa aérea abateram um drone americano e dispararam contra outro drone e um caça que, segundo a organização, entraram no espaço aéreo iraniano sobre a região do Golfo.
Em comentários publicados em seu canal no Telegram, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, disse: “O relógio não pode ser retrocedido, e as nações e terras da região não serão mais um escudo para bases americanas.”
“De agora em diante, os slogans ‘Morte à América’ e ‘Morte a Israel‘ serão os slogans da nação islâmica e dos povos oprimidos do mundo, especialmente os jovens”, acrescentou.
O presidente dos EUA, Donald Trump, já havia citado esses slogans ao justificar ações militares contra o Irã. Trump afirmou que as negociações com o Irã estavam indo “bem” em uma longa publicação no Truth Social na segunda, mas alertou para novos ataques caso fracassassem. “Só haverá um Grande Acordo para todos, ou nenhum acordo”, escreveu ele.
Trump também pediu que outros Estados de maoiria muçulmana, incluindo Arábia Saudita, Qatar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia aderissem aos Acordos de Abraão, negociados durante seu primeiro mandato e que visam normalizar as relações entre esses Estados e Israel.
A posição de longa data da Arábia Saudita é de que não assinará os acordos a menos que haja um consenso sobre um roteiro para a criação de um Estado palestino.
Em mais um indício das tensões na região, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou na segunda que Israel intensificará os ataques contra o Hezbollah, no Líbano.
Nesta terça, as Forças Armadas israelenses emitiram alertas de retirada para os moradores da cidade de Nabatieh, no sul do território libanês, indicando possíveis ataques aéreos.
Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo em meados de abril, mas Israel continuou os ataques aéreos, afirmando serem atos de autodefesa contra o Hezbollah, que não era signatário do acordo.




