Pais abrem mão de anonimato em caso de estupro – 26/05/2026 – Mundo

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Pais de alunos de uma escola de educação infantil em Paris decidiram abrir mão do direito ao anonimato no julgamento de um funcionário acusado de abusar sexualmente de nove crianças. O tribunal condenou nesta terça-feira (26) o monitor David G., 36, a três anos de prisão.

Embora processos envolvendo menores de idade normalmente tramitem sob sigilo, os pais das vítimas optaram por se identificar publicamente. Segundo a agência de notícias Associated Press, a decisão foi inspirada por Gisèle Pelicot, a francesa que se tornou símbolo da luta contra a violência sexual ao abrir mão do anonimato no julgamento do ex-marido e de outras dezenas de homens acusados de estuprá-la.

David G. (o nome completo do acusado não foi divulgado), 36, é acusado de abusar sexualmente de alunos entre agosto de 2024 e abril de 2025. Ele teria cometido os atos ao levar as crianças, com idades entre 3 e 5 anos, ao banheiro, durante as pausas de almoço e nos programas de contraturno escolar.

O réu, um jornalista que trabalhava na escola para complementar a renda, é acusado de agredir sexualmente cinco alunos. Outras quatro famílias também o acusam de abuso sexual, mas o Ministério Público ainda não apresentou denúncia formal nesses casos. O monitor também é acusado de abusar sexualmente de duas colegas.

Os alunos não compareceram ao julgamento, e seus depoimentos foram lidos para o juiz. David G. foi condenado em três dos cinco casos.

O novo prefeito de Paris, Emmanuel Gregoire, um socialista que afirma ter sofrido abusos sexuais durante uma atividade extracurricular no ensino fundamental, anunciou dezenas de suspensões e prometeu erradicar esse tipo de violência.

A Prefeitura informou que o acusado foi imediatamente suspenso em abril do ano passado, depois que os pais apresentaram queixas e o diretor da escola alertou as autoridades.

David G. nega as acusações de abuso, mas admite ter violado diretrizes da escola, entre elas a proibição de um adulto colocar um aluno sentado em seu colo.

Em outro caso semelhante, julgado a portas fechadas no início de maio, o Ministério Público pediu 18 meses de prisão com suspensão condicional da pena para um acusado de 47 anos. A sentença é esperada para 16 de junho.

Outros três julgamentos por abusos sexuais por parte de monitores escolares devem ser realizados até o início de setembro em Paris. Desde o início de 2026, 78 funcionários municipais foram suspensos em escolas parisienses, 31 deles por suspeita de violência sexual.

Entre eles, está um cidadão brasileiro, identificado apenas como C., 51. Ele foi preso preventivamente na semana passada e está sendo processado por estupro, agressão e exposição sexual de crianças.

Até o momento, o Ministério Público de Paris investiga possíveis atos de violência, de diferentes naturezas, em 84 escolas de educação infantil, cerca de 20 de ensino fundamental e dez creches.



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