O fundo de quase US$ 1,8 bilhão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para compensar aliados supostamente vítimas de instrumentalização do governo foi suspenso após a Casa Branca enfrentar forte oposição de republicanos no Congresso, disseram à agência Reuters três pessoas familiarizadas com o plano, nesta segunda-feira (1º).
A surpreendente resistência ao plano de Trump evidenciou um apetite crescente de alguns senadores republicanos para exercer mais poder sobre as ações do presidente, particularmente depois que ele apoiou, em eleições primárias, candidatos alternativos a dois senadores do partido que buscam reeleição.
A proposta teria sido abandonada quando os senadores retornaram a Washington após recesso de feriado e enfrentaram um impasse com o presidente sobre um projeto de lei de US$ 72 bilhões (cerca de R$ 360 bi) para financiar as operações do ICE e da Patrulha de Fronteira. Falando a repórteres, o líder da maioria no Senado, John Thune, disse que deixou claro à Casa Branca que o fundo precisava ser eliminado.
Segundo um funcionário falando sob anonimato, o governo recebeu um ultimato.
O fundo surgiu de um acordo judicial entre Trump e o Departamento de Justiça para resolver um processo sem precedentes no qual o presidente havia processado a Receita Federal e demandado US$ 10 bilhões como indenização por suposta manipulação de seus informes fiscais.
A proposta de criação do fundo provocou questionamentos judiciais e comoção política imediatos, inclusive de senadores republicanos, que expressaram indignação com a possibilidade de pessoas que atacaram o Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021 serem contempladas com pagamentos de dinheiro dos contribuintes.
O acordo também proibiu a Receita Federal de realizar quaisquer auditorias sobre declarações fiscais passadas de Trump, seus parentes e suas empresas para quaisquer declarações apresentadas antes de 18 de maio. Não ficou claro como ou se a suspensão do fundo afetaria possíveis auditorias das declarações fiscais passadas de Trump.
Na sexta-feira (29), juízes federais na Virgínia e na Flórida impuseram dois reveses ao governo, emitindo ordens que suspenderam temporariamente o fundo até 12 de junho, solicitando análise adicional.
Em comunicado nesta segunda-feira (1º), um porta-voz do Departamento de Justiça disse que a pasta “discorda fortemente” da suspensão temporária do fundo, mas que “o Departamento acatará a decisão do Tribunal”.
O comunicado do Departamento de Justiça não se comprometeu a abandonar a proposta do fundo por completo, mas apenas a seguir uma decisão judicial que provavelmente irá expirar neste mês. Um porta-voz da pasta não respondeu à agência Reuters quando perguntado se o fundo havia sido permanentemente descartado.
Em uma reunião tensa no mês passado entre senadores republicanos e o secretário de Justiça, Todd Blanche, após o anúncio do fundo, parlamentares gritaram com o secretário sobre a repercussão política do fundo. Após essa reunião, ficou claro que não havia caminho a seguir, segundo um funcionário da Casa Branca familiarizado com o assunto, que disse que Blanche retornou da reunião sem respostas.
Trump não está satisfeito, mas entende que este é o único caminho a seguir por enquanto, disse esse funcionário, acrescentando que o fundo está suspenso e alertando que nada é definitivo até que Trump assim o anuncie.
Thune, o líder da maioria republicana no Senado, que sinalizou por dias suas preocupações sobre o fundo, disse a repórteres nesta segunda-feira que achava que o melhor caminho seria “o governo decidir encerrá-lo por conta própria”.
Ele disse que conversou com a Casa Branca no fim de semana e com Trump na semana passada, acrescentando que deixou claro que achava que o fundo deveria ser encerrado.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, também realizou uma longa reunião na Casa Branca na segunda-feira para discutir o assunto, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.




