ONU: Crise no Líbano desafia esperança no Oriente Médio

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A coordenadora especial da ONU para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert, descreveu um “país que está em chamas”.

Com a fuga em massa de civis e a escalada da violência ceifando vidas, Hennis recomenda apostar na contenção deste conflito que “é um jogo de alto risco, cujo preço é pago por quem já perdeu demasiado”.

Escalada do conflito entre Hezbollah e Israel

Em pronunciamento ao Conselho de Segurança da ONU, a subsecretária-geral para as Operações de Paz, Martha Pobee, alertou sobre a gravidade da situação no Líbano, destacando três pontos centrais.

© Unicef/Fouad Choufany
Crianças brincam no pátio entre as tendas de um abrigo coletivo temporário em Beirute, no Líbano.

Primeiro, a sofisticação e o avanço militar com o Hezbollah intensificando seus ataques, usando um arsenal cada vez mais letal que inclui mísseis antitanque, dispositivos explosivos improvisados, mísseis superfície-ar contra ativos israelenses e drones guiados por fibra óptica. Recentemente, as ofensivas atingiram áreas ainda mais profundas do território de Israel.

Outra questão é a da soberania estatal sobre a qual as lideranças do Hezbollah reafirmaram que o grupo não irá se desarmar. A postura desafia diretamente a intenção do governo libanês de estabelecer o monopólio estatal sobre o uso da força no país.

Por fim , o impacto humano arrasador, após o Ministério da Saúde Pública do Líbano ter confirmado pelo menos 3.412 mortes e mais de 10 mil feridos. Entre as vítimas estão centenas de civis, incluindo mulheres, crianças, jornalistas e profissionais de saúde que atuavam na linha de frente.

Preço para as crianças

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revelou que apesar do cessar-fogo entre Israel e o movimento Hezbollah, as estatísticas publicadas pelo Ministério da Saúde do Líbano relatam números “assombrosos”.

ONU/Loey Felipe
Jeanine Hennis-Plasschaert recomenda apostar na contenção do conflito

Em nota, Ricardo Pires, da Comunicação do Unicef, destaca que 15 crianças morreram e outras 62 ficaram feridas. Uma media de 11 menores atacados a cada dia. 

O apelo do Unicef é que ao “abrigo do direito internacional humanitário, as crianças têm de ser protegidas em qualquer circunstância.”

Para a tragédia que se agrava em nível global, a Organização Mundial da Saúde, OMS, conta mais de 600 mortos confirmados desde a implementação do cessar-fogo em meados de abril. 

Emergência alimentar crescente

A guerra que segue, pelo terceiro mês, é acompanhada por uma crise humanitária de proporções alarmantes, segundo o Programa Alimentar Mundial, WFP. O alerta é sobre a combinação de deslocamentos em massa e insegurança alimentar aguda.

A situação de deslocamento envolve mais de 1 milhão de pessoas num momento em que os preços disparam, as famílias perdem os seus rendimentos e os mercados entram em colapso. 

Na resposta internacional dada desde o início de março, a agência destaca o alcance de mais de 700 mil afetados pelo conflito no Líbano. Por dia, cerca 150 mil civis recebem apoio. São refeições, rações prontas a consumir e pacotes para famílias refugiadas em abrigos de emergência.

A agência da ONU solicitou ainda que haja acesso humanitário contínuo e um financiamento previsível para evitar o colapso total.

Além da crise no Líbano, a situação nos territórios vizinhos agrava a tensão regional. Em Gaza, as famílias sobrevivem sob o espectro da “linha amarela”, o limite militar que separa a área ocupada e controlada diretamente pelas Forças de Defesa de Israel. Elas estão vivendo em meio ao “medo constante” da morte.

Aumento do “terror”

Um grupo de 13 relatores* das Nações Unidas advertiu sobre o aumento do “terror” provocado por ocupantes de assentamentos de Israel no Território Palestino, incluindo Jerusalém Oriental. 

© Acnur/Dar Al Mussawir/Ramzi Haidar
Pessoas deslocadas por confrontos transfronteiriços reúnem-se junto à ponte Qasmiyyeh, no sul do Líbano.

Continuam sendo registrados ataques diários que forçam a deslocação das comunidades locais. Nos primeiros cinco meses deste ano, pelo menos 13 palestinos foram mortos e quase 500 ficaram feridos em ataques, que são números que ultrapassam as estatísticas de períodos anteriores.

Os especialistas consideram que, mais do que nunca, o Oriente Médio precisa que o mundo abra os olhos e exija o fim da escalada que compromete futuros e destrói nações. A paz não pode “continuar sendo apenas um conceito no papel”, quando milhares tentam, dia após dia, pelo simples direito de sobreviver.

*Relatores especiais atuam de forma voluntária, não são funcionários da instituição e não recebem salário por suas funções.



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