
Neste dia 3 de junho, a comunidade internacional assinala o Dia Mundial da Bicicleta, celebrando o veículo que assegura a mobilidade diária de cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.
Decretada em 2018 pela ONU, esta data reconhece a singularidade e a versatilidade da bicicleta como meio de transporte acessível e sustentável, que promove a proteção do ambiente e a saúde pública.
A celebração anual destaca o potencial da bicicleta na erradicação da pobreza e na promoção do desenvolvimento sustentável, incentivando a inclusão social e uma cultura de paz no seio das sociedades.
Atualmente, a Europa é a região do mundo com a maior densidade de bicicletas per capita, com países como a Holanda e a Dinamarca a apresentarem rácios iguais ou superiores a uma bicicleta por cada pessoa.
Já no Sul-Global, a bicicleta constitui um meio de transporte imprescindível no acesso ao trabalho, à saúde e à educação em inúmeras comunidades, agindo como um pilar de inclusão social e sustentabilidade económica e climática.
Com o objetivo de promover a sustentabilidade e sensibilizar a sociedade para os impactos das alterações climáticas, em 2023, Daniel Rodrigues realizou uma travessia de bicicleta elétrica pelo continente africano.
“Como qualquer criança da década de 1980, eu cresci a andar de bicicleta”, conta o fotógrafo à ONU News. “No entanto, antes da viagem pela África, nunca tinha pedalado uma distância superior a 20 quilómetros”, admite.
Daniel acabaria por percorrer mais de 6 mil quilómetros de bicicleta, desde o litoral oceânico da Cidade do Cabo, na África do Sul, até aos altos planaltos da capital queniana, Nairobi.
No decorrer da viagem, Daniel constatou como, “em África, a bicicleta é um meio de transporte acessível e indispensável para muitas comunidades”.
Ele sublinha o papel central deste veículo na mobilidade quotidiana e no transporte de água potável das comunidades de países como a Zâmbia, o Quénia e a Tanzânia.
O fotógrafo verificou ainda paralelismos com outras regiões, incluindo espaços lusófonos. “À semelhança do que acontece no Brasil, com o mototáxi, na Zâmbia, por exemplo, as mulheres são frequentemente transportadas em bancos almofadados colocados atrás do selim, numa espécie de ‘bike-táxi’”, descreve.
Enquanto meio partilhado e acessível, a bicicleta promoveu uma maior proximidade entre o viajante e as comunidades locais. “Permitiu um contacto mais direto e genuíno com as pessoas. Crianças corriam ao meu lado e algumas pessoas acompanhavam-me durante quilómetros nas suas bicicletas. De carro, essa experiência seria impensável”, conclui.
No Dia Mundial da Bicicleta, a ONU sublinha os benefícios associados à utilização da bicicleta, enquanto meio de transporte simples, acessível, limpo e ambientalmente sustentável.
Neste sentido, a integração da bicicleta nos sistemas de transporte sustentáveis promove o crescimento económico, reduz as desigualdades e reforça o combate às alterações climáticas, sendo essencial para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
*Jornalista estagiário da ONU News.
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