O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, proclamou vitória na guerra contra os Estados Unidos e Israel em comunicado nesta quinta-feira (4), dizendo que os dois rivais sofreram profunda humilhação e agora apostam em divisões internas para enfraquecer o país.
Mojtaba é filho de Ali Khamenei, líder anterior assassinado em ataque americano e israelense no início do conflito. Escolhido como sucessor do pai, ele foi ferido no mesmo bombardeio e não é visto em público há semanas.
“O maligno inimigo sofreu um golpe decisivo e foi derrotado em confronto com as Forças Armadas do Irã”, escreveu Mojtaba no texto divulgado nesta quinta, aniversário de 37 anos da morte do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.
“Digo à querida nação iraniana que nosso maligno inimigo agora passa por uma humilhação profunda e significativa, tanto no campo de batalha quanto na arena pública, e agora recorre à truques e enganação, buscando minar a resiliência do povo e semear discórdia interna”, afirmou o líder supremo.
Analistas especulam que a mensagem, que trata a guerra como concluída, pode sinalizar que um acordo de paz com os EUA será anunciado em breve.
“O sistema americano de dominação, que criou uma guarnição chamada Israel há 80 anos, não aceita a existência de um Irã forte independente”, prosseguiu Mojtaba.
“Não aceita esse Irã dotado de uma série de vantagens na fronteira leste da falsa e fictícia ‘Grande Israel’, a leste do rio Eufrates”, afirmou, em referência à ideia expansionista de extremistas israelenses que preconiza um Estado judeu ao longo de todo o território entre o Nilo, no Egito, e o Eufrates, no Iraque e na Síria.
O presidente americano, Donald Trump, vem dizendo há dias que um acordo para encerrar a guerra e abrir o estreito de Hormuz está próximo de ser assinado. Na quarta (3), ele disse que provavelmente deve se encontrar com Mojtaba em algum momento.
“Eu gostaria de encontrá-lo. Provavelmente nos encontraremos em algum momento, dependendo de como tudo se desenrolar”, afirmou Trump. O republicano, que está sob pressão interna para encerrar o conflito devido à alta nos preços da gasolina, afirmou que a campanha militar no Irã é um “sucesso”.
A duração do conflito começa até mesmo a afastar o presidente de seus aliados republicanos no Congresso, que até aqui têm apoiado a Casa Branca em quase todas as frentes.
Na quarta, com o apoio de quatro correligionários de Trump, a oposição democrata na Câmara dos EUA conseguiu aprovar um projeto de lei para limitar os poderes de guerra do presidente e obrigá-lo a retirar as forças americanas do Irã —ou obter aprovação do Congresso para continuar com a operação militar.
A resolução já estava a caminho de ser aprovada no mês passado, quando os líderes republicanos a retiraram abruptamente da pauta para evitar uma derrota constrangedora tanto para o partido quanto para o presidente.
O resultado é mais simbólico que prático, uma vez que, mesmo se aprovado no Senado, para onde o texto deve seguir após essa etapa, o projeto só se torna lei com o aval do presidente. Para derrubar um veto de Trump, o Congresso precisaria de uma maioria de dois terços dos representantes —um quórum praticamente impossível, uma vez que o Partido Republicano, a sigla do presidente, tem maioria nas duas Casas.




