
Zeynab Javadli, de 34 anos, estaria sofrendo ameaças e sendo alvo de intimidações há vários anos, após se divorciar do xeque Saeed.
De acordo com o advogado, de nacionalidade britânica, a mulher teria sido ameaçada de perder a guarda dos filhos caso não aceitasse abrir mão deles, segundo o jornal The Sun.
O advogado de direitos humanos David Haigh afirmou que a mulher estava desaparecida desde a manhã do dia 2 de junho. “A casa de Zeynab está trancada e vazia. Isso não foi inesperado”, disse ele.
“Desde o momento em que se divorciou do sobrinho do governante, em 2019, Zeynab vem sendo vítima de abusos horríveis e constantes: invasões à sua casa, ameaças de detenção e uma proibição de viagem que a transformaram, em todos os sentidos, em uma refém dentro da própria casa”, acrescentou, lembrando que, na última vez em que a polícia entrou em sua residência, ela chegou a transmitir o momento ao vivo nas redes sociais.
Posteriormente, segundo informações da BBC, a mulher — que já foi ginasta internacional — está sob custódia policial, de acordo com a procuradoria, após uma denúncia apresentada pelo marido.
O caso de Zeynab, segundo ele, evidencia que “mulheres e crianças não estão seguras em Dubai e são tratadas como propriedade, não como seres humanos”.
De acordo com o The Times of Israel, Zeynab Javadli foi casada com o xeque Saeed, de 49 anos, sobrinho do governante de Dubai. O casal tem três filhas e está envolvido em uma disputa pela guarda das crianças.
Durante meses, Javadli praticamente não saiu de casa, por temer que agentes de segurança estivessem à sua espera para retirar seus filhos e possivelmente prendê-la, segundo a BBC.
No ano passado, o ex-marido registrou uma queixa na polícia, acusando-a de sequestrar as filhas. Os advogados dele alegaram nos tribunais de custódia que ela seria uma mãe inadequada, que não enviava as crianças à escola, vivia em condições impróprias com as filhas e teria colocado em risco a saúde da filha mais nova.
A defesa da mulher contestou todas as acusações e apresentou provas em sentido contrário.
Em 2019, a esposa do líder de Dubai, a princesa Haya bint Al Hussein, teria fugido do país após relatos de que temia por sua vida. O xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, um dos homens mais ricos do mundo e também primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, teria escrito uma carta na qual acusava a esposa de traição.
Segundo o The Sun, a princesa deixou o príncipe e buscou asilo na Alemanha. A CEO da organização Detained in Dubai, Radha Stirling, afirmou que receberam múltiplos relatos sobre sua fuga.
Já em 2018, outro caso envolveu a princesa Latifa bint Mohammed bin Rashid Al Maktoum.
A princesa, então com 35 anos, filha do governante de Dubai e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, tentou fugir de barco da cidade-estado do Golfo, mas foi interceptada e levada de volta ao país.
Familiares divulgaram vídeos em que ela afirmava estar presa em uma “casa transformada em prisão”, com janelas bloqueadas e vigilância policial constante.
Em março de 2020, a Justiça britânica concluiu que o emir de Dubai teria ordenado o sequestro de duas de suas filhas, Latifa e Shamsa.
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