Nova York quer poupança de US$ 3.000 para crianças – 08/06/2026 – Mundo

17807105696a237ca9e8a20_1780710569_3x2_rt.jpg


Alunos de pré-escolas em Nova York poderão receber até US$ 3.000 (cerca de R$ 15.600) da prefeitura para custear a educação universitária. O plano, proposto por legisladores municipais, tem como objetivo combater a desigualdade de renda e ampliar o acesso ao ensino superior.

As contribuições únicas estão entre os maiores investimentos em programas de poupança infantil já propostos nos Estados Unidos. De acordo com a proposta da Câmara Municipal —que expandiria uma iniciativa já existente—, estudantes de famílias de baixa renda receberiam US$ 3.000, enquanto os demais receberiam US$ 1.000 (R$ 5.200). Ambos os valores superam com folga a contribuição atual de US$ 100 (R$ 520).

Com o custo da faculdade nas alturas e a desigualdade social em crescimento, os defensores da expansão argumentam que o investimento proposto pode ajudar de múltiplas formas: ofereceria uma base mais sólida para que as crianças ingressem na universidade, permitindo que concluam os estudos com menos dívida estudantil e com maior capacidade de acumular patrimônio ao longo da vida. Mesmo sem aportes adicionais, US$ 3.000 poderiam se transformar em US$ 8.500 (R$ 44.200) até o momento em que o aluno entrasse na faculdade, com base na taxa de retorno atual do programa.

“Se realmente queremos combater a desigualdade de renda, ajudar os nova-iorquinos a progredir e enfrentar a crise de acessibilidade financeira, precisamos fazer um investimento muito maior para essas crianças”, afirmou Julie Menin, presidente da Câmara Municipal.

A proposta partiu de Menin, que liderou a criação do programa de poupança há mais de uma década, quando ocupava o cargo de comissária de defesa do consumidor da cidade. O custo anual seria de US$ 180 milhões (R$ 936 milhões) —uma fração ínfima do orçamento municipal de US$ 125 bilhões (R$ 650 bilhões)—, contra os atuais US$ 12,7 milhões (R$ 66 milhões). Ela classificou a iniciativa como sua maior prioridade orçamentária.

A proposta, porém, depende do aval do prefeito Zohran Mamdani, que fez campanha com foco em acessibilidade financeira, mas deixou de incluí-la em seu orçamento executivo de maio, que ainda não foi finalizado, mas as negociações seguem em curso. A administração Mamdani sinalizou que o prefeito está aberto a ampliar as contribuições para as contas universitárias.

“Nossa cidade tem a responsabilidade de colocar cada criança no caminho do sucesso”, disse Jenna Lyle, porta-voz de Mamdani. “Esse compromisso guia nosso trabalho diário em prol de uma cidade mais acessível, onde os nova-iorquinos possam criar suas famílias.” Ela acrescentou que a administração debaterá a proposta com a Câmara Municipal.

Os planos de poupança universitária existem há mais de 40 anos. Conhecidas como planos 529, essas contas permitem que as famílias depositem dinheiro com crescimento isento de impostos, a ser usado futuramente em despesas como mensalidades e material didático para faculdades ou escolas técnicas. Historicamente, as famílias mais abastadas têm sido as principais beneficiárias desse modelo.

O programa nova-iorquino, batizado de NYC Kids Rise, se diferencia em pontos importantes: as contas são abertas automaticamente para todos os alunos de pré-escolas públicas, incluindo três quartos das escolas conveniadas que aderiram à iniciativa. Desde que o programa foi lançado como piloto no Queens, em 2017, mais de 380 mil crianças já tiveram contas abertas em seu nome.

Cada vez mais estados e municípios têm adotado iniciativas semelhantes. Connecticut, por exemplo, investe US$ 3.200 (R$ 16.640) para crianças de famílias de baixa renda logo ao nascer. No âmbito federal, o governo criou recentemente contas de investimento individuais para crianças —chamadas de “contas Trump”—, com um aporte inicial de US$ 1.000.

As contas do NYC Kids Rise já acumularam mais de US$ 85 milhões (R$ 442 milhões). O programa também permite que empresas locais, grupos comunitários e vizinhos façam doações, que podem ser distribuídas entre os alunos de uma mesma escola.

Foi o que fez Mariela Regalado, que organizou uma campanha de arrecadação comunitária para os estudantes da escola de sua filha, a PS 319, em South Williamsburg, no Brooklyn. As contribuições foram suficientes para depositar US$ 86 (R$ 447) na conta de cada aluno na pré-escola e no primeiro ano.

Orientadora de carreira e ensino superior, Regalado abriu um plano 529 para a filha logo após o nascimento e o vinculou à conta do NYC Kids Rise. Aos seis anos, a menina já acumula quase US$ 7.900 (R$ 41.080) para a faculdade.

“Eu fui literalmente escravizada por dívidas de empréstimo estudantil”, desabafou Regalado, de 36 anos. Seu saldo devedor, de cerca de US$ 48.000 (R$ 249.600), pode levar mais três décadas para ser quitado. “Não quero esse destino para ela.”

Programas como o NYC Kids Rise mudam a forma como crianças e famílias enxergam suas perspectivas e possibilidades de futuro, avalia William Elliott III, professor de serviço social na Universidade de Michigan e referência nas pesquisas sobre poupança universitária e desigualdade de renda.

O componente financeiro —especialmente a dimensão comunitária da arrecadação— transmite às crianças a mensagem de que sua cidade e seus vizinhos acreditam nelas, destaca Elliott. As contas também abrem a possibilidade de concluir a graduação sem dívidas e começar a construir patrimônio desde o primeiro dia.

“Precisaremos pensar cada vez mais em como redistribuir a riqueza para preservar a meritocracia que tanto almejamos”, disse ele. “Isso vai exigir programas como este — que não enxergam a renda apenas como saída da pobreza, mas reconhecem que o patrimônio é peça fundamental na construção do futuro das crianças.”



Source link

Leia Mais

naom_6a6e0a51c843e.webp.webp

Magreza de Ariana Grande em novo clipe, ‘Petal’, chama atenção de fãs

agosto 2, 2026

Republicanos lança candidatura de Tarcísio ao governo de São Paulo 

Republicanos lança candidatura de Tarcísio ao governo de São Paulo 

agosto 2, 2026

naom_6a58878804f87.webp.webp

Professor espancado no metrô de SP afirma ter sido vítima de homofobia

agosto 2, 2026

Em São Paulo, rua é renomeada em homenagem à história

Em São Paulo, rua é renomeada em homenagem à história do samba

agosto 2, 2026

Veja também

naom_6a6e0a51c843e.webp.webp

Magreza de Ariana Grande em novo clipe, ‘Petal’, chama atenção de fãs

agosto 2, 2026

Republicanos lança candidatura de Tarcísio ao governo de São Paulo 

Republicanos lança candidatura de Tarcísio ao governo de São Paulo 

agosto 2, 2026

naom_6a58878804f87.webp.webp

Professor espancado no metrô de SP afirma ter sido vítima de homofobia

agosto 2, 2026

Em São Paulo, rua é renomeada em homenagem à história

Em São Paulo, rua é renomeada em homenagem à história do samba

agosto 2, 2026