O dirigente da China, Xi Jinping, encerrou uma visita de dois dias a Pyongyang, capital norte-coreana, em sua primeira viagem oficial à Coreia do Norte desde 2019.
O ditador norte-coreano, Kim Jong-un, preparou uma recepção grandiosa para Xi quando ele chegou ao país na segunda-feira (8), com direito a tapete vermelho e apresentações acrobáticas elaboradas.
Embora a viagem não tenha resultado em acordos concretos, sua importância foi reconhecida por Kim, que afirmou que a escolha de Pyongyang como destino da primeira visita de Estado do ano de Xi demonstrava a “máxima importância” atribuída às relações bilaterais, segundo reportagem da agência estatal KCNA.
A visita também ocorre em um momento em que o regime chinês tenta reafirmar sua influência sobre um parceiro estratégico, porém imprevisível, que recentemente se aproximou da Rússia.
Com essa visita, Xi deve considerar que fez o suficiente para lembrar Kim de que seu principal aliado continua sendo a China.
Já Kim provavelmente avaliará que receber uma autoridade desse porte poucas semanas depois de Xi ter se reunido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o presidente russo, Vladimir Putin, ajuda a demonstrar que ele ainda possui aliados influentes, apesar das sanções internacionais em vigor.
Durante um banquete realizado na noite de segunda-feira, Xi elogiou as relações entre os dois países e afirmou que China e Coreia do Norte estão “ligadas por montanhas e rios e compartilham um destino comum”, segundo a agência estatal Xinhua.
Kim respondeu dizendo que a Coreia do Norte continuará tratando a amizade com a China como prioridade máxima e reafirmou apoio ao princípio de “Uma Só China”, defendido pelo regime chinês.
A visita serve como um lembrete da força da relação entre os dois países, mesmo em meio às “turbulências nos assuntos internacionais”, disse Kim, segundo relatos da imprensa estatal.
Xi acrescentou que alcançou um “consenso importante” com Kim para “acompanhar os tempos atuais” e aprofundar tanto as trocas de alto nível quanto os laços entre as populações dos dois países.
Os dois líderes também destacaram que este ano marca o 65º aniversário do pacto de defesa entre a China e a Coreia do Norte, o único tratado desse tipo mantido pela China com outro país.
A China é o parceiro político e econômico mais importante da Coreia do Norte e representa uma tábua de salvação diante das pesadas sanções internacionais impostas por causa de seu programa nuclear.
Mas, apesar da dependência norte-coreana em relação à China e de sua posição secundária na aliança, Kim aparentemente conseguiu prevalecer em pelo menos um tema importante nesta semana.
As discussões sobre a desnuclearização da Coreia do Norte ficaram notavelmente ausentes dos relatos divulgados pela imprensa estatal sobre as conversas de segunda-feira entre os dois líderes, embora isso não tenha surpreendido analistas.
Nos últimos anos, a China reduziu significativamente suas cobranças públicas pela desnuclearização da península coreana e passou a evitar menções públicas ao tema.
Xi foi acompanhado na viagem por alguns dos integrantes mais importantes de seu governo, entre eles Cai Qi, considerado seu chefe de gabinete, o ministro da Defesa, Dong Jun, o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, e o ministro do Comércio, Wang Wentao.
Nesta terça-feira (9), os dois líderes visitaram a Torre da Amizade, monumento que homenageia soldados chineses que lutaram na Guerra da Coreia. Eles também passaram pela principal escola de dirigentes do Partido Comunista em Pyongyang, onde plantaram um pinheiro que simboliza a amizade duradoura entre os dois países, informou a agência Xinhua.
Durante sua estadia em Pyongyang, Xi ficou hospedado na Casa de Hóspedes Estatal de Kumsusan, uma residência exclusiva localizada no centro da capital norte-coreana.
Supostamente construída em 2019 para receber Xi em sua primeira visita de Estado a Pyongyang naquele ano, a hospedagem já recebeu líderes estrangeiros como Vladimir Putin e o ditador de Belarus, Alexander Lukashenko.
As demonstrações públicas de pompa, no entanto, não conseguiram esconder todas as diferenças entre China e Coreia do Norte.
Em seu discurso, Xi afirmou esperar que a visita “abra conjuntamente um futuro mais brilhante para a causa socialista dos dois países” —um tema sensível para a China.
Há muito tempo a China incentiva a Coreia do Norte a seguir o modelo chinês de liderança comunista: manter um regime de partido único enquanto amplia mercados, investimentos estrangeiros e comércio internacional.
E “há elementos nos relatos divulgados pela China que sugerem que o presidente Xi pode estar frustrado”, afirmou Sydney Seiler, presidente do programa Coreia do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), na rede social X.
Segundo Seiler, Kim não mencionou nenhum processo de desenvolvimento e “a Coreia do Norte continua se recusando a aprender com a experiência de desenvolvimento da China”.




