O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quarta-feira (10) que qualquer tentativa de Cuba de obter armamentos capazes de atingir o território continental de seu país ou a base americana de Guantánamo poderia provocar um confronto que Havana não teria condições de sustentar.
“Seria imprudente que o governo de Cuba buscasse acesso a tipos de armas que pudessem alcançar esta base ou o território americano”, disse Hegseth. Sem detalhar a que armamentos se referia, o chefe do Pentágono acrescentou que nenhum país é capaz de rivalizar com o poderio militar dos EUA.
Apesar do tom ameaçador, Hegseth disse que Washington ainda espera construir uma relação positiva com Havana. “Esperamos que em breve possamos ser amigos da liderança do governo cubano”, afirmou.
A visita foi vista como mais um sinal do aumento da pressão exercida pelo presidente Donald Trump sobre o regime comunista. Nas últimas semanas, autoridades americanas de alto escalão intensificaram a presença em Cuba. No fim de maio, o comandante das forças dos EUA para a América Latina, o general Francis Donovan, também esteve em Guantánamo e se reuniu com um alto oficial cubano na área limítrofe da base. Dias antes, o diretor da CIA, John Ratcliffe, fez uma visita considerada rara a Havana.
As ameaças do governo Trump ocorrem num contexto de aprofundamento da crise econômica cubana e ao endurecimento da política externa americana para a região. O líder americano com frequência cita mudanças políticas em Cuba entre os objetivos do seu segundo mandato e conta com apoio de eleitores cubano-americanos na Flórida, muitos dos quais defendem uma mudança de regime na ilha.
Segundo Michael Bustamante, diretor do programa de estudos cubanos da Universidade de Miami, a visita de Hegseth pode ser interpretada como uma demonstração de força destinada a reforçar a percepção de que Washington considera uma opção militar caso suas exigências não sejam atendidas.
As tensões aumentaram após uma série de medidas adotadas pela Casa Branca. Em maio, a Justiça americana formalizou acusações de homicídio contra o ex-líder cubano Raúl Castro relacionadas à derrubada, em 1996, de aeronaves civis operadas por exilados cubanos sediados em Miami. O episódio foi visto como um passo na tentativa do governo Trump de ampliar sua influência no hemisfério Ocidental.
Em Havana, as declarações americanas são acompanhadas com preocupação. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que qualquer ação militar contra a ilha provocaria um “banho de sangue”, com milhares de mortos entre cubanos e americanos.
Em paralelo, Cuba enfrenta uma grave crise energética. O governo Trump tem pressionado países que fornecem petróleo e outras fontes de energia à ilha, ameaçando impor tarifas comerciais. Na prática, a medida reduziu o acesso cubano a combustíveis, agravando os apagões frequentes e aprofundando as dificuldades econômicas do país.
Durante a visita a Guantánamo, Hegseth também indicou que novos anúncios envolvendo a Venezuela devem ocorrer em breve. Segundo ele, os EUA agora contam com um parceiro no país disposto a cooperar no combate a grupos ligados ao tráfico de drogas, classificados por Washington de grupos terroristas.




