Ativistas no México planejam protestos na abertura da Copa – 10/06/2026 – Esporte

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Uma presidente com popularidade em queda, um grande evento internacional e movimentos sociais organizados. A crise está servida no México, um dos três países-sede da Copa do Mundo de 2026 e palco da abertura do torneio, nesta quinta-feira (11).

Do lado de dentro do estádio Azteca, que recebe os jogos pela terceira vez na história, a colombiana Shakira e o nigeriano Burna Boy vão entoar a música oficial do evento antes de México e África do Sul se enfrentarem no gramado. Do lado de fora, familiares de desaparecidos, sindicatos e organizações camponesas planejam se encontrar ao final de marchas simultâneas em direção ao complexo.

Os temores de que as manifestações ofusquem a cerimônia de abertura levaram o governo federal a suspender aulas e autorizar o trabalho remoto para servidores públicos na Cidade do México, onde fica o estádio, e o governo da capital a reforçar a segurança.

O estádio, segundo o secretário de governo da cidade, César Cravioto, é agora uma “instalação de segurança nacional”. “Eles terão que entender que em menos de 48 horas a Copa do Mundo será inaugurada aqui, no estádio, e nós já precisamos garantir a segurança do local”, disse à Radio Fórmula sobre os manifestantes, na última terça (9).

Os grupos, porém, não dão sinais de que vão recuar —especialmente o CNTE (Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação), o que mais preocupa o governo. Milhares de membros da organização estão em greve e acampados ao redor do Zócalo, a cerca de 10 km do estádio Azteca, desde o início de junho.

O local é estratégico. Coração histórico da Cidade do México, a Praça de Constituição, nome oficial do Zócalo, é rodeada por edifícios públicos, incluindo o Palácio Nacional, onde vive a presidente Claudia Sheinbaum. Além disso, foi escolhida para ser palco da “fan fest”, evento oficial da Fifa para torcedores assistirem à partida em telões.

Entre os fãs deve estar a própria Sheinbaum, que cedeu seu ingresso para a abertura a Yolett Cervantes Cuaquehua, uma indígena de 21 anos do estado de Veracruz que venceu o concurso organizado pelo governo federal para entregar o ticket 0001 a um cidadão mexicano.

Na última terça, porém, a presidente não deixou claro se realmente iria ao “fan fest” ou se assistiria à cerimônia do Palácio Nacional. “Veremos como as coisas se desenvolvem com os professores e outros grupos”, afirmou ela.

“Se, por algum motivo, o jogo não puder ser assistido no Zócalo, existem 18 locais na cidade onde ele pode ser visto gratuitamente, e verei se assistimos aqui ou se vou a um desses locais”, disse então nesta quarta, em sua entrevista coletiva diária, colocando em xeque até mesmo o evento em si.

A principal reivindicação dos professores é a retomada das aposentadorias públicas para a categoria, revertendo o sistema privado adotado no final da década de 1990. Embora tenha sido um crítico desse sistema nos anos que esteve na oposição, o partido da presidente, o Morena, insiste que revogá-lo é inviável economicamente.

A mobilização ao redor dessa pauta começou bem antes, mas ganhou força no início do governo de Sheinbaum, no final de 2024, antes de estourar na greve dos últimos dez dias.

Agora, a tempestade parece perfeita. Embora a popularidade de Sheinbaum ainda esteja em 68%, o índice caiu sete pontos desde maio do ano passado —queda que pode ser explicada justamente pela fragilidade econômica do país para manter programas sociais, grande bandeira da sigla que chegou ao poder com Andrés Manuel López Obrador, o AMLO, em 2018.

“Existem grupos que querem nos provocar, que querem que a notícia internacional seja de que o governo mexicano está reprimindo professores. Eles não conseguirão isso e, ao mesmo tempo, garantiremos que a cerimônia de abertura da Copa do Mundo transcorra de forma tranquila, pacífica e serena”, afirmou Sheinbaum na segunda.

O membro da Direção Política da CNTE, Hezer Eufragio, diz não concordar com a líder, mas afirma que o evento de fato é uma forma de jogar luz ao movimento. “Aproveitamos a situação da Copa do Mundo para dar visibilidade ao problema”, afirmou à Folha. “Neste momento, o México é a vitrine do mundo, porque todos os olhares estão voltados para o palco que a Fifa planejou aqui em nosso país.”

O grupo não é o único que pensa assim. “Queremos que o mundo veja que, enquanto lá dentro comemoram os jogos da Copa do Mundo, lá fora lamentamos o desaparecimento de um membro da família”, afirmou à Radio Rafaela Vanessa Gámez ao comentar os planos de protesto ao redor do estádio na semana passada. Sua filha de 19 anos, Ana Amelí García Gámez, desapareceu em julho de 2025.

De acordo com o Sistema Nacional de Segurança Pública, há 132,5 mil casos de pessoas com paradeiro desconhecido no México, um problema crônico do país que a gestão do Morena não conseguiu resolver.

Nesta quarta, membros da CNTE se reuniram novamente com funcionários do Ministério do Interior para uma última negociação antes da abertura da Copa. Questionada sobre preocupações a respeito do evento, Sheinbaum falou: “Nenhuma. Tudo sob controle”.



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