A princesa tailandesa Bajrakitiyabha Mahidol, filha mais velha do rei, morreu aos 47 anos, anunciou o palácio real nesta sexta-feira (12), mais de três anos depois dela ter sido hospitalizada após uma doença súbita.
Ela sofria de uma infecção abdominal e “seu estado continuou a piorar”, disse o Gabinete da Casa Real em comunicado, até que ela “faleceu em paz” na noite de quinta-feira (11).
A princesa ficará em câmara ardente no Grande Palácio de Bangkok e seu funeral será realizado “com as mais altas honras de acordo com a tradição real”, acrescentou o comunicado.
Conhecida na Tailândia como “Princesa Bha”, a única filha do primeiro casamento do rei Maha Vajiralongkorn com a princesa Soamsawali.
O Gabinete da Casa Real informou em maio que seu estado de saúde havia se deteriorado e que ela dependia de aparelhos médicos para auxiliar as funções pulmonares e renais, além de medicamentos.
Promotora e diplomata de formação, Bajrakitiyabha estudou no Reino Unido, na Tailândia e nos Estados Unidos, obtendo diploma de direito pela Universidade Cornell e servindo por um período como embaixadora da Tailândia na Áustria.
Durante uma visita à faculdade de direito americana em 2012, a princesa comentou sobre sua trajetória profissional para uma plateia no campus: “Eu me pergunto agora, o que eu sou exatamente? Uma promotora? Uma advogada criminalista? Uma diplomata? A resposta é tudo isso junto. Eu digo que sou uma híbrida”.
Ela também ocupou diversos cargos nas Nações Unidas e se tornou uma defensora dos direitos das mulheres, incluindo melhores condições para detentas em prisões.
“Era amada, respeitada e admirada por pessoas em todo o reino. Era gentil, talentosa e de conduta exemplar”, disse o primeiro-ministro Anutin Charnvirakul nesta sexta, em pronunciamento televisionado.
“Ela dedicou sua vida a promover justiça, igualdade, dignidade humana e direitos na sociedade. Convido todo o povo tailandês a se unir no luto por sua morte e a seguir seu exemplo como inspiração para servir ao rei e à monarquia.”
Como princesa, Bajrakitiyabha desempenhava um importante papel cerimonial na sociedade tailandesa —onde a família real ocupa o topo da hierarquia.
Era considerada próxima de seu pai e foi nomeada para um cargo de alto escalão em seu comando de guarda-costas um ano antes da hospitalização.
O acadêmico tailandês Pavin Chachavalpongpun, conhecido por suas críticas à monarquia, relembrou ter conhecido a princesa em Singapura, descrevendo-a como alguém que “tratava todos os funcionários públicos com gentileza e respeito”.
No Hospital Chulalongkorn, onde Bajrakitiyabha recebeu tratamento, pessoas enlutadas se reuniram nesta sexta para prestar homenagens —algumas segurando retratos da princesa.
“Quando ouvi o anúncio, fiquei muito triste”, disse Thanyaporn Arammekha, uma aposentada de 66 anos com os olhos inchados de tanto chorar.
“Eu amo a monarquia porque meus pais se divorciaram quando eu era muito jovem. Rama 9 era como uma figura paterna para mim”, disse ela, referindo-se ao antigo rei.
Ela contou que visitava o hospital regularmente enquanto a princesa recebia tratamento e que correu para lá assim que soube da notícia.
Kanokpan Chantarapetch, 67, funcionária provincial aposentada, também prestou homenagens.
“Não consigo nem falar. Estou arrasada”, disse ela à AFP entre lágrimas.
“Eu amava a Princesa Bha desde que ela era muito jovem”, disse, acrescentando que “como ex-funcionária do governo, entendo o quanto a família real fez pelo país”.
A ex-rainha da Tailândia, Sirikit, mãe do rei, morreu em outubro aos 93 anos.
O rei de 73 anos, que tem sete filhos de quatro casamentos, não anunciou seu herdeiro escolhido, embora as regras de sucessão favoreçam os homens.
Regras rígidas determinam o que pode e o que não pode ser dito sobre a família real tailandesa, que é protegida de críticas por leis de lesa-majestade que preveem penas de prisão de até 15 anos por acusação.




