A delegação da Ucrânia formalizou um pedido de reunião bilateral entre os presidentes Volodimir Zelenski e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às margens do G7. O encontro, ainda não confirmado oficialmente, deverá ocorrer nesta quarta-feira (17), último dia da cúpula em Évian-les-Bains, na França.
Um sinal preparatório já ocorreu nesta terça-feira (16): o chanceler Mauro Vieira se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiha, também presente em Évian. O governo brasileiro ressalvou que o encontro entre os chanceleres não é condição necessária para que a bilateral entre os presidentes aconteça e que a agenda desta quarta ainda pode mudar.
A relação entre Lula e Zelenski tem sido marcada por tensões persistentes. Os atritos começaram em 2023, quando falas do presidente brasileiro sobre o conflito foram interpretadas por Kiev como favoráveis à Rússia.
O primeiro encontro entre os dois ocorreu em setembro de 2023, na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York —reunião de cerca de uma hora que Mauro Vieira classificou de amistosa, mas que não dissipou as divergências.
A tensão se aprofundou em maio de 2025, quando Lula foi a Moscou para as comemorações do Dia da Vitória na Praça Vermelha. O gesto foi visto por Kiev como mais um aceno a Vladimir Putin. No Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro de 2025, Zelenski chegou a dizer que “o trem do Brasil já passou” como possível mediador no conflito.
Os dois se encontraram novamente no G7 de Kananaskis, no Canadá, em junho de 2025. Desde então, a Ucrânia não indicou um substituto para o seu embaixador no Brasil, cargo vago desde julho do mesmo ano —gesto interpretado no meio diplomático como sinal de descontentamento de Kiev com Brasília.
O Brasil não participou da sessão de trabalho do G7 dedicada à Ucrânia, realizada na manhã desta terça e reservada aos membros plenos do grupo. A posição brasileira sobre o conflito tem sido a de defender uma solução negociada, sem endossar explicitamente as condições apresentadas por nenhuma das partes.




