
Com mais longevidade e melhores condições de saúde, a antiga crença de que o envelhecimento demográfico é um “fardo” ou uma “bomba-relógio” prestes a destruir as economias está completamente defasada da realidade.
A conclusão é da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, Unece, em novo relatório defendendo que longe de estarem à margem da sociedade, os cidadãos mais velhos são motores invisíveis do progresso.
Os idosos geram centenas de bilhões de dólares anualmente por meio do trabalho formal, do voluntariado e da prestação de cuidados não remunerados, destaca a Nota Síntese “Aproveitar o potencial de uma mão de obra envelhecida”.
De acordo com a publicação, ignorar o valor da chamada “economia prateada” é tanto um desperdício social quanto um grave erro estratégico.
Os dados revelam uma mudança profunda desde o ano 2000: a proporção de trabalhadores entre 55 e 64 anos dobrou, representando atualmente cerca de um quarto de toda a população ativa na região da Unece.
No entanto, o declínio das taxas de fertilidade acende um sinal de alerta porque em alguns países, a força de trabalho total poderá encolher mais de 10% até 2050.
Essa retração coloca em risco a produtividade e a capacidade de inovação além de receitas fiscais dos governos e a sustentabilidade a longo prazo dos sistemas de previdência social.
Para superar a situação, o recurso seria desbloquear o potencial inexplorado do mercado, adotando uma nova visão sobre as carreiras longas, baseada em três pilares estratégicos.
O primeiro passo seria preparar a mão de obra por meio da aprendizagem contínua. Com a revolução tecnológica redefinindo o mercado de trabalho em tempo recorde ideia é que a idade não se torne um entrave e a educação deixar de ser vista como um privilégio exclusivo da juventude.
Nesse contexto, a estratégia é promover investimentos robustos no desenvolvimento de habilidades digitais e na requalificação profissional para todas as faixas etárias, garantindo que os trabalhadores seniores se mantenham inovadores e adaptáveis.
A segunda frente seria atuar para reter o talento e combater o etarismo. Atualmente, muitos profissionais abandonam mais cedo o mercado de trabalho, não por escolha, mas por falta de condições adequadas ou devido a preconceitos relacionados à idade.
A sugestão é eliminar os incentivos financeiros que empurram os profissionais para a aposentadoria antecipada. Em paralelo, é urgente reforçar a proteção legal contra a discriminação por idade, incentivar práticas de contratação inclusivas e criar ambientes de trabalho flexíveis e adaptados.
Por último o relatório recomenda reintegrar quem deseja voltar à atividade. Uma porcentagem cada vez maior de pessoas em idade de aposentadoria deseja continuar ativa para manter o estímulo mental, o sentido de propósito e a conexão social. A Unece quer que a legislação e a burocracia não sejam barreiras.
A estratégia recomenda criar modelos flexíveis de trabalho, como jornadas de meio período, e rever os sistemas tributários para que o trabalho pós-aposentadoria não seja financeiramente penalizado.
Além disso, propõe-se a criação de plataformas de emprego dedicadas a cruzar a vasta experiência desses talentos com as necessidades reais das empresas.
Para a Comissão da ONU na Europa, o sucesso das economias modernas e a manutenção da qualidade de vida dependem diretamente da valorização da força de trabalho mais experiente.
Mudar a narrativa global sobre o envelhecimento é o primeiro passo.
O segundo é alinhar essa transformação por meio de uma ação envolvendo governos, empregadores, sindicatos e sociedade civil.
Ao elaborar políticas baseadas em evidências que valorizem a experiência e a aprendizagem ao longo da vida, os países não estarão apenas mitigando uma crise de mão de obra. Eles construirão um futuro mais próspero, sustentável e inclusivo para todas as gerações.
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