‘Meu coração diz que está vivo’: a esperança da jovem que espera irmão ser resgatado de escombros na Venezuela – 26/06/2026 – Mundo

'Meu coração diz que está vivo': a esperança da jovem


Marianella Cremi está sentada na calçada ao lado da mãe, a poucas quadras do edifício Petunia, em Caracas, na Venezuela. Era ali onde seu irmão, Juan Diego Cremi, assistia ao jogo entre Brasil e Escócia quando o teto desabou sobre ele durante os dois terremotos que atingiram a Venezuela nesta quarta-feira (24).


Na partida, Juan Diego torcia pelo Brasil, embora sua seleção na Copa do Mundo seja Portugal, em homenagem à admiração que tem pelo jogador Cristiano Ronaldo.


Marianella, de 25 anos, fala no presente sobre as preferências esportivas do irmão caçula, de 23, porque diz ter “plena certeza” de que Juan Diego sobreviveu, embora ele ainda esteja sob os escombros.

Às 18h04 de quarta-feira (horário local), apenas quatro minutos após o início da partida, um primeiro terremoto, de magnitude 7,2, atingiu a Venezuela. Trinta e nove segundos depois, um segundo tremor, de magnitude 7,5, sacudiu o país.

O fenômeno, conhecido pelos geofísicos como “terremoto duplo”, deixou dezenas de mortos e milhares de feridos.

“Meu coração diz que ele está vivo”, afirma Marianella, em uma ligação por WhatsApp feita de uma rua de Los Palos Grandes, um dos bairros mais atingidos no norte de Caracas.

Um pouco depois do meio-dia, já haviam se passado cerca de 18 horas desde o desabamento do edifício Petunia.

PICARETAS, PÁS E MÁSCARAS

Como a mãe prefere não se aproximar dos escombros, Marianella permanece ao lado dela enquanto o pai, Mario Cremi, trabalha lado a lado com as equipes de resgate que procuram Juan Diego e a namorada dele, Sabrina Bolognesi, de 22 anos.

“Como sabem que meu filho está ali com a namorada, têm me dado prioridade e me deixam entrar”, conta Mario, pai de Marianella e Juan Diego. “Sou muito grato a todos.”

De tempos em tempos, ele volta para atualizar as duas sobre o andamento das buscas: finalmente chegou um guindaste para remover as placas de concreto mais pesadas. Mas os socorristas ainda precisam de picaretas, pás, macacos hidráulicos, pés de cabra, máscaras, capacetes e óculos de proteção.

Caso contrário, teriam de escavar com as próprias mãos.

Quando Marianella contou a situação aos amigos, eles saíram em busca dos materiais nas lojas de ferragens que encontraram abertas e chegaram a se oferecer como voluntários nas buscas.

“Disseram ao meu pai que Los Topos de México estão aqui”, conta Marianella, referindo-se ao grupo mexicano de resgate conhecido por atuar em operações de socorro em grandes desastres internacionais.

Juan Diego e Sabrina estavam com Sofía Bolognesi, irmã mais nova de Sabrina, e Victoria Delgado, amiga do grupo.

Por permanecer próximo às equipes de resgate, o pai de Marianella conheceu o homem que retirou Sofía dos escombros durante a madrugada.

“Fui eu quem a tirou de lá”, teria lhe dito o socorrista. “As pernas dela estavam presas. Deu bastante trabalho para conseguir soltá-las, mas conseguimos.”

Victoria também foi resgatada.

“Agora só faltam Juan Diego e Sabrina”, diz Marianella. “Temos fé e confiamos em Deus que vamos encontrá-los com vida.”

‘LISTAS E MAIS LISTAS’

Marianella e os pais estavam em Acarigua, a 324 quilômetros de Caracas, quando viram nas redes sociais os vídeos do desabamento do edifício Petunia.

Os três entraram no carro e dirigiram por mais de quatro horas até chegar a Caracas, por volta da meia-noite.

Em um primeiro momento, encontraram uma lista de pessoas resgatadas em que constavam os nomes de Juan Diego e Sabrina. Mas, como não conseguiam localizá-los, começaram a percorrer hospitais e clínicas em busca dos dois.

“Fomos ao Hospital Domingo Luciani, ao Hospital Pérez de León, à Clínica El Ávila, ao Salud Chacao, à Clínica Sanatrix, à La Floresta”, conta Marianella. “Era um caos. Havia pessoas desesperadas, gritando, correndo… Eram listas e mais listas.”

“Mas, em nenhuma delas, estava o nome do meu irmão.”

Quando soube que Victoria havia sido resgatada, Marianella entrou em contato com ela para entender o que havia acontecido. Victoria contou que, assim que começou o primeiro terremoto, o grupo desceu correndo pelas escadas, do sexto para o segundo andar, quando o teto desabou.

Juan Diego e Sabrina estavam atrás de Victoria e à frente de Sofía. Por isso, Marianella não consegue entender por que os dois ainda não foram encontrados.

Mesmo assim, as equipes de resgate deram notícias que renovaram a esperança da família enquanto ela e os pais aguardavam por informações.

Além de ouvirem gritos vindos debaixo dos escombros, souberam que uma pessoa presa no edifício Petunia conseguiu enviar uma mensagem de WhatsApp à família.

Essas notícias reforçam a convicção de Marianella de que ainda realizará o plano que havia feito com o irmão na última vez em que se viram, durante a formatura dele em administração: assistir juntos à final da Copa do Mundo, em Acarigua.

“Escrevi um texto para o meu irmão, mas ainda não mostrei para ele. Era uma forma de agradecer por tudo o que sei sobre futebol, porque foi ele quem me ensinou”, diz Marianella.

“Tenho certeza de que, se ainda não mostrei esse texto, é porque ele vai lê-lo quando nos encontrarmos de novo.”



Fonte CNN BRASIL

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