
As operações de busca e resgate continuam na Venezuela nesta terça-feira, enquanto milhares de sobreviventes do terremoto tentam encontrar abrigo após terem perdido suas casas.
Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas confirmaram 1.719 mortes, pelo menos 5.034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores consecutivos, de magnitudes 7.2 e 7.5 na escala Richter.
Seis dias após os sismos, “a escassez de alimentos é generalizada” em La Guaira, o estado mais afetado, segundo a agência da ONU para refugiados, Acnur.
A porta-voz da entidade, Carlotta Wolf, afirmou nesta terça-feira que “os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi amplamente interrompida”.
Ela ressaltou que as tensões dentro das comunidades estão aumentando devido à dificuldade de acesso à assistência.
Uma avaliação rápida das necessidades realizada pelo Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo mostrou que metade dos entrevistados estava abrigada com vizinhos ou parentes após o desastre.
Além disso, quase quatro em cada 10 estão vivendo nas ruas e espaços públicos, e outros em igrejas, escolas ou instalações improvisadas.
Carlotta Wolf alertou que “esses abrigos improvisados não atendem aos padrões mínimos de proteção”, em termos de privacidade, espaços seguros e níveis básicos de higiene e conforto.
A porta-voz do Acnur também expressou preocupação com a presença de crianças desacompanhadas e separadas das famílias.
Já o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Christian Lindmeier, disse que “os serviços de saúde estão sob extrema pressão neste momento”.
Segundo ele, o aumento nos casos de trauma ultrapassa a capacidade das instalações de saúde.
No sábado, a OMS analisou dados de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, concluindo que três estão “em estado crítico”, seis apresentam danos estruturais ou estão parcialmente funcionais e as restantes “permanecem operacionais sob grande pressão”.
Lindmeier alertou para a “prestação de serviços caótica” e fluxos de pacientes, marcados por superlotação, crescentes atrasos cirúrgicos, falha nas medidas de biossegurança e equipe severamente estressada.
O porta-voz da OMS também destacou “lacunas críticas” na prestação de cuidados de saúde, incluindo o colapso dos serviços forenses e de necrotérios, bem como o registro inadequado de vítimas e de pessoas desaparecidas.
OMS afirma ainda que há um risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria, coqueluche, além de febre amarela e outras doenças transmitidas por vetores e pela água, incluindo dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.
Lindmeier explicou que muitos dos deslocados estão sob alto risco, devido à baixa cobertura vacinal antes do terremoto e ao acesso limitado às vacinas atualmente.
Ele adicionou que vários profissionais de saúde em La Guaira continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis por cuidados maternos na região, o que criou uma lacuna crítica na assistência obstétrica.
A resposta da ONU em números |
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