Líderes do Partido Democrata pediram nesta segunda-feira (6) que Graham Platner desista da candidatura para o Senado dos Estados Unidos após novas acusações de agressão sexual, apesar das grandes chances de o candidato conquistar uma cadeira nas eleições de meio de mandato.
De acordo com uma reportagem do site Politico, Jenny Racicot, uma moradora do Maine de 41 anos e ex-companheira do candidato, acusou-o de forçá-la a manter relações sexuais no fim de 2021. Platner nega a acusação.
No mês passado, o ex-fuzileiro naval de 41 anos, que cultiva ostras e é novato na política, venceu as primárias democratas no estado. Em rede social após as novas acusações, o candidato democrata chamou-as de “preocupantes, graves e falsas”.
“Independentemente da imprecisão da reportagem, mas ciente da realidade política que vai desencadear, estamos reservando um tempo para refletir sobre o melhor caminho a seguir para o estado que eu amo, o povo que eu amo, o movimento ao qual pertenço e o objetivo de derrotar Susan Collins”, afirmou o candidato.
Collins, senadora republicana há seis mandatos e uma das poucas moderadas de seu partido no Congresso, está entre os principais alvos dos democratas. O Maine é um estado crucial para a oposição democrata em seus esforços para retomar o controle do Senado em novembro.
Os republicanos detêm uma maioria de 53 a 47 na Casa, o que significa que os democratas precisam conquistar um saldo líquido de quatro cadeiras para assumir o controle. Perder o Maine tornaria esse caminho significativamente mais difícil.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e o comitê de campanha democrata classificaram as acusações de “incrivelmente perturbadoras” e exigiram a saída “imediata” de Platner. Também indicaram que pretendem retirar o financiamento à campanha do candidato caso ele decida prosseguir na disputa.
O senador independente Bernie Sanders também afirmou ter instado Platner a encerrar sua campanha. “Diante dessas acusações muito graves, recomendei que ele se retire da disputa”, disse Sanders, um importante apoiador progressista de Platner e seu maior aliado em nível nacional.
O democrata Troy Jackson, ex-presidente do Senado do Maine, deu um passo oficial nesta terça para entrar na disputa pela vaga do estado na Casa. Um comitê protocolou os documentos em nome de Jackson junto à Comissão Eleitoral Federal, o que na prática prepara o terreno para que ele possa substituir Platner caso este decida abandonar a disputa.
A reportagem do Politico foi publicada após outras polêmicas de Platner, relacionadas a antigos comentários online, mensagens de teor sexual, uma tatuagem com conotação nazista que depois foi coberta, além de acusações de violência contra mulheres.
Platner afirmou ter enfrentado dificuldades vinculadas a um transtorno de estresse pós-traumático não diagnosticado e ao abuso de álcool, mas negou ter agredido fisicamente ex-parceiras. O candidato falou abertamente sobre sua luta contra o transtorno, a depressão e o consumo de álcool, problemas que, segundo ele, decorreram de seu tempo nas Forças Armadas.
À medida que acusações contra ele foram publicadas —incluindo seus comentários de menosprezo sobre estupro e observações depreciativas sobre mulheres feitos na internet, bem como uma tatuagem amplamente reconhecida como símbolo nazista—, ele afirmou que seu comportamento passado não reflete quem ele é hoje. Ele pediu aos habitantes do Maine que não o julguem pela “pior coisa que disse na internet há 14 anos”.
Uma das mulheres que o acusou de agressões e disse ter um relacionamento abusivo com ele é Lyndsey Fifield, uma conservadora da Virgínia que trabalhou para grupos de direita e campanhas republicanas. Ela disse ao jornal The New York Times recordar-se dele como alguém que demonstrava um “desprezo arrogante pelas emoções das mulheres”.
Ela foi ouvida pelo jornal americano junto de outras mulheres, inclusive Jenny Racicot, em uma reportagem publicada no início de junho. Após a publicação das novas acusações pelo Politico, Fifield voltou a comentar o caso e postou em suas redes sociais um texto em que acusa o New York Times de não ter ouvido todas as pessoas que, segundo ela, poderiam corroborar sua acusação contra Platner. O jornal não se pronunciou até a publicação deste texto.
“Jenny e eu —sem nunca termos nos encontrado ou conversado— compartilhamos com esses repórteres detalhes assustadoramente semelhantes”, afirmou ela. Ela critica a posição do jornal de ter afirmado, na reportagem, que não foi possível corroborar seu relato a partir das fontes disponíveis até aquele momento.
O veículo detalhou, no texto, ter analisado mensagens trocadas entre Fifield e Platner, além de mensagens dela com suas amigas durante e após o relacionamento com o atual candidato. O jornal ainda afirmou ter visto anotações de diário que confirmaram o relacionamento instável, mas disse não ter conseguido “corroborar as agressões físicas ou os comentários mais controversos que ela descreveu”.
Ainda nesta terça, Fifield voltou a falar com a imprensa americana e fez novas acusações contra Platner. Em entrevista ao jornal The Washington Post, ela afirmou que o democrata repetidamente retirava a camisinha sem o consentimento dela durante suas relações sexuais. Em um comunicado, a campanha de Platner classificou a acusação de “categoricamente falsa e motivada por razões políticas”.


