Otan tenta reduzir dependência de insumos militares da China – 08/07/2026 – Mundo

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Os países-membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) lançaram nesta terça uma série de projetos de defesa para reduzir a dependência de matérias-primas críticas fornecidas pela China.

Os planos foram anunciados pelo secretário-geral da aliança, Mark Rutte, na abertura do fórum da indústria de defesa, no primeiro dia da cúpula anual em Ancara, na Turquia. Ao todo, 12 países-membros vão cooperar para adquirir, estocar, transportar e reciclar minerais e componentes críticos para a defesa.

  • A China é a maior produtora mundial de terras raras e de outros minerais críticos, como o gálio, com mais de 90% da oferta global.

  • Esses materiais entram na fabricação de radares, sistemas de guiamento de mísseis e propulsão.

Pequim tem usado essa posição como instrumento de dissuasão, com exigências de licença e restrições geridas pelo Ministério do Comércio. O país impôs duas rodadas de controles de exportação de terras raras em abril e outubro do ano passado, em resposta às tarifas de Washington.

O movimento da Otan segue a decisão do G7, no mês passado, de cortar a dependência de um único fornecedor de fora do bloco para terras raras e ímãs permanentes a menos de 60% até 2030.

Rutte disse que a China moderniza suas forças armadas e amplia o arsenal nuclear sem transparência, em aproximação crescente com Rússia, Coreia do Norte e Irã.


No domingo, o Canadá escolheu submarinos da alemã TKMS, citando a rápida expansão da frota submarina chinesa no Ártico.

Por que importa: a iniciativa move o acesso a minerais críticos do terreno comercial para o da segurança militar. O dado revelador é a modéstia da meta, o corte de “apenas” 60% até 2030 é um sinal de quão fundo vai o controle de Pequim sobre os insumos que armam as forças aliadas. Quanto mais os países buscam fornecedores fora da China, mais atenção recai sobre reservas alternativas, entre elas as sul-americanas de cobre e terras raras.


pare para ver

Trecho da tela “Mil Rios e Montanhas” de Wang Ximeng. Produzida na Dinastia Ming, esta é uma das maiores pinturas da história da China e permanece como uma das obras-primas da arte chinesa. Para produzir a tela, Wang usou pigmentos feitos com minerais raros, como o verde-malaquita e o azul-azurita.


o que também importa

★ Um tribunal chinês condenou à morte um ex-executivo da Zona de Desenvolvimento de Nanjing por receber propina ao longo de três décadas. Segundo a agência estatal Xinhua, Yang Youlin recebeu mais de 2,21 bilhões de yuans (R$1,6 bilhão) em dinheiro e bens entre 1993 e 2023, em troca de ajuda para viabilizar projetos, concessões e transferências de terras. O veredito apontou desvio de recursos, abuso de poder e lavagem de dinheiro. Yang admitiu os crimes e disse estar arrependido. Além da pena capital, ele terá que restituir os cofres públicos por todos os valores desviados.

★ A Noruega pediu que a China use seus laços com a liderança russa para ajudar a alcançar um acordo negociado para a guerra na Ucrânia. O clamor veio do premiê norueguês, Jonas Gahr Støre, após uma reunião com o chanceler chinês, Wang Yi, em Oslo. Støre disse haver potencial para cooperação mais profunda entre Europa e China, mas que a parceria de Pequim com a Rússia tem limitado essa oportunidade. Autoridades norueguesas defenderam negociações sem condições, começando por um cessar-fogo baseado nas linhas de combate atuais.

★ Um submarino chinês de propulsão nuclear disparou um míssil com ogiva inerte no sul do Pacífico na segunda-feira. O teste marca o avanço da China rumo à tríade nuclear, ou seja, a capacidade de lançar armas por terra, ar e mar. O disparo “não foi dirigido a nenhum país ou alvo específico”, afirmou a chancelaria chinesa, mas Japão, Austrália, Nova Zelândia e Papua-Nova Guiné foram avisados mesmo assim. A chanceler australiana, Penny Wong, chamou o episódio de “desestabilizador”, e Tóquio manifestou “sérias preocupações”. Os EUA também reprovaram o teste.

fique de olho

O governo chinês estuda restringir o acesso estrangeiro aos seus modelos de inteligência artificial mais avançados, revelou a agência Reuters.

Autoridades se reuniram no último mês com Alibaba, ByteDance e a startup Z.ai para discutir os limites, de acordo com três pessoas a par das conversas.

O Ministério do Comércio chinês estuda enquadrar o roubo de tecnologia de IA na lei de segurança nacional e criar regras sobre quem pode financiar startups do setor. O alcance ainda está em discussão.

Modelos de IA podem ser abertos ou fechados. Nos de código aberto, qualquer usuário baixa o sistema e o adapta. Nos fechados, o acesso passa só pela empresa dona da tecnologia.


Pequim avalia travar os dois tipos quando envolverem os modelos de ponta, que ganharam o mundo desde a DeepSeek, por custarem pouco e chegarem perto dos rivais americanos.

O movimento aproxima a China dos EUA, que, em junho, barraram estrangeiros de acessar Fable e Mythos, da Anthropic. Pequim teme que Washington use o Mythos para explorar falhas de software contra interesses chineses.


Por que importa: a China passa a tratar a IA de ponta como ativo de segurança nacional, com consequências práticas ainda difíceis de prever. Um cerco de Pequim encareceria os sistemas baratos que empresas do mundo todo, inclusive no Brasil, adotaram como alternativa aos americanos. Isso deixaria menos espaço neutro para quem tenta usar as tecnologias das duas potências sem escolher lado.


para ir a fundo

Estão abertas até o dia 24 de julho as inscrições para o X Seminário Pesquisar a China Contemporânea. O evento deste ano acontece na Unicamp e recebe resumos de trabalhos acadêmicos neste link.

O Instituto Confúcio na UFC abriu 60 vagas gratuitas para a prática de Tai Chi ao ar livre na orla de Fortaleza. As turmas acontecerão às quintas (6h da manhã) e sábado (7h30 da manhã) na Avenida Beira-Mar, 3958. Mais informações aqui.

O Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro recebe até 11 de outubro a exposição “Sabores da Tradição: História da Alimentação na China Antiga”. São 125 obras e artefatos originais do acervo do Museu Nacional da China, disponibilizados dentro da agenda do Ano Cultural Brasil-China 2026. A visitação acontece de quarta a domingo, das 10h às 17h (último acesso às 17h e encerramento às 18h) no centro do Rio.





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