Israel investiga soldado por foto de tortura em Gaza – 11/07/2026 – Mundo

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A imagem mostra um homem vendado, deitado de bruços sobre uma cama dobrável. Ele está apenas de cueca. As mãos aparecem amarradas para trás, e uma corda está enrolada em seu corpo, enquanto o que parece ser um cabo de vassoura, encaixado em um tubo metálico, o mantém preso à cama. Em hebraico, a legenda da foto diz: “Bom dia”.

Aviso: esta reportagem contém imagem perturbadora

Segundo organizações de direitos humanos, a foto mostra indícios de pelo menos um crime de guerra. Talvez de dois.

Quem é o homem e de onde ele veio permanece incerto. A imagem circulou nas redes sociais depois de ser republicada por um ativista palestino, que afirmou que a foto havia sido divulgada primeiro por um soldado israelense, o qual posteriormente teria apagado a sua conta.

O Exército israelense disse ter confirmado a autenticidade da foto. “Após uma análise minuciosa, o incidente em questão foi identificado”, escreveu em comunicado.

A nota afirma que o caso não está alinhado aos “valores e regulamentos” do Exército, acrescentando que “uma investigação está em andamento, e os envolvidos serão tratados de acordo com as conclusões”.

O Exército não disse de onde era o prisioneiro nem respondeu a perguntas sobre quantos soldados estariam envolvidos, quais eram suas patentes ou unidades, quais consequências poderiam enfrentar ou onde a fotografia foi tirada. Também não informou o que aconteceu com o prisioneiro, os eventos que levaram aos maus-tratos ou exatamente quais violações estavam sendo investigadas.

A fotografia foi destacada na plataforma X, em 30 de junho, por um ativista palestino que se identifica como Tamer. Ele não respondeu aos pedidos de comentário feitos pelo jornal The New York Times.

Israel deteve milhares de palestinos desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em 2023, muitas vezes sem acusação formal, e negou à Cruz Vermelha Internacional acesso para se reunir com eles. Muitos descreveram terem sido despidos ou humilhados de outras formas, espancados, privados de alimentação e de cuidados médicos adequados, e impedidos, durante semanas, de contatar advogados ou familiares.

O New York Times documentou abusos de prisioneiros em Sde Teiman, uma base militar no sul de Israel para onde a maioria dos moradores de Gaza capturados no conflito foi levada para interrogatório.

Sari Bashi, diretora executiva do Comitê Público Contra a Tortura em Israel, disse que a publicação da foto constitui um crime de guerra, devido à proibição, sob o direito internacional humanitário, de retratar prisioneiros ou detidos em estados humilhantes.

“Há a publicação, e depois há o que ela parece mostrar”, disse ela. Isso também pode ser um crime de guerra, afirmou: “A forma como ele foi confinado levanta fortes preocupações de que o método de confinamento foi uma forma de punição que poderia equivaler a tratamento cruel, desumano ou degradante, ou mesmo tortura”.

Vários soldados israelenses postaram fotografias e vídeos aparentemente incriminadores de si mesmos durante a guerra. Grupos de direitos humanos dizem que isso reflete uma mudança cultural no Exército que está em desacordo com a insistência da instituição de que tais incidentes violam suas regras.

“Os soldados estão seguindo o exemplo dos mais altos escalões”, disse Bashi. Ela lembrou que o ministro da Defesa, Israel Katz, havia se reunido e supostamente pedido desculpas a cinco reservistas depois que as acusações foram retiradas contra eles em um caso envolvendo abuso de um prisioneiro palestino que teve costelas quebradas e pulmão perfurado.

“Se eu fosse um soldado raso”, disse Bashi, “eu pensaria que tudo isso é aceitável e até desejável”.

Oneg Ben Dror, coordenadora de projetos da organização Médicos pelos Direitos Humanos-Israel, que disse que a foto publicada constitui prova de dois crimes de guerra, afirmou que os maus-tratos retratados são excepcionais apenas porque foram documentados de forma tão clara. Milhares de palestinos disseram ter sido torturados em prisões e campos militares israelenses, segundo ela.

“Não é um caso único”, acrescentou. “Desta vez, os soldados tiraram uma foto”.

Amani Sarahneh, porta-voz da Associação de Prisioneiros Palestinos, disse que a foto mostra como soldados israelenses agem com impunidade. E ressalta a “violência e brutalidade” que os detidos têm sofrido.

Ela também argumentou que a disseminação de tal foto foi “um esforço para moldar a consciência pública por meio de intimidação e dissuasão psicológica, usando imagens como essas e o impacto que elas têm sobre os palestinos de forma mais ampla”.

Em comunicado na noite de quinta-feira (9), o Exército israelense escreveu: “As forças israelenses agiram e continuam agindo para identificar casos incomuns que desviam do que se espera dos soldados de Israel. Esses casos serão arbitrados, e medidas de comando significativas serão tomadas contra os soldados envolvidos”.



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