Trump criticará urnas eletrônicas em discurso à nação – 14/07/2026 – Mundo

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará um pronunciamento em rede nacional na noite de quinta-feira (16) sobre documentos de inteligência recentemente tornados públicos relacionados às investigações sobre as eleições americanas.

Segundo um integrante do governo ouvido pela agência Reuters, o republicano abordará o que a Casa Branca considera vulnerabilidades nas urnas eletrônicas. Trump poderá usar o discurso para voltar a defender a alegação, já desmentida, de que perdeu a eleição de 2020 para o democrata Joe Biden em razão de uma fraude eleitoral em larga escala.

Tribunais, auditorias eleitorais e o Departamento de Justiça durante o primeiro mandato de Trump não encontraram evidências de fraude, incluindo manipulação de urnas eletrônicas. A agência federal de segurança cibernética, junto com autoridades federais, estaduais e locais, declarou que a eleição foi “a mais segura da história” dos EUA.

Impulsionado pelas repetidas alegações de Trump de que as eleições americanas são fraudadas, o governo vem tentando, há mais de um ano, ampliar a supervisão federal sobre a administração das eleições e reformular a forma como os americanos votam.

Uma das iniciativas é um projeto de lei chamado pelo presidente de Salve a América, que exigiria comprovação de cidadania para o registro eleitoral e criaria um banco de dados nacional de eleitores utilizando registros estaduais. Segundo especialistas, a iniciativa retira poderes dos estados e viola a Constituição dos EUA. .

Com o controle republicano do Congresso em jogo nas midterms, previstas para novembro, democratas e alguns especialistas em segurança eleitoral manifestaram preocupação de que o governo Trump pretenda interferir nesses pleitos.

Ao classificar a eleição de 2020 como ilegítima, Trump estaria preparando o terreno para contestar eventuais derrotas republicanas e enfraquecer a legitimidade dos democratas caso eles recuperem o controle do Legislativo.

O integrante do governo, que falou sob condição de anonimato, disse que Trump abordará em seu discurso as eleições nacionais e o que integrantes da Casa Branca consideram falhas nas urnas eletrônicas que poderiam permitir invasões cibernéticas estrangeiras.

Segundo esse mesmo funcionário, Trump também comentará informações de inteligência relacionadas à eleição de 2020 que foram recentemente desclassificadas.

Autoridades eleitorais afirmam estar confiantes de que as urnas eletrônicas são adequadamente protegidas e dizem que não há evidências de invasões estrangeiras que tenham alterado os resultados de eleições anteriores.

Uma análise apresentada no ano passado pela Mojave Research, empresa contratada pela ex-diretora de Inteligência Nacional Tulsi Gabbard, identificou falhas em urnas eletrônicas apreendidas em Porto Rico, mas não encontrou evidências de invasão por hackers.

Gabbard, que renunciou por razões de saúde em maio, também elaborou um relatório próprio apontando vulnerabilidades significativas nas urnas eletrônicas e sugerindo medidas adicionais de segurança, como a atualização dos softwares, segundo três fontes com conhecimento do assunto.

A Casa Branca, porém, adiou a divulgação do relatório, enquanto Trump continua tentando comprovar que sua derrota em 2020 foi resultado de fraude. No mês passado, Trump nomeou Bill Pulte, diretor da agência reguladora federal do mercado hipotecário, como substituto interino de Gabbard e afirmou tê-lo autorizado a desclassificar documentos relacionados à eleição de 2020.

Força-tarefa da Casa Branca

A Casa Branca também criou recentemente uma força-tarefa para investigar aspectos da eleição de 2020, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto, sob condição de anonimato.

Segundo uma delas, o jornalista John Solomon, ex-colaborador da Fox News, participa da iniciativa.

De acordo com essa pessoa, Solomon solicitou acesso a documentos relacionados a uma análise que divergia da avaliação da comunidade de inteligência dos EUA divulgada em 2021, segundo a qual não havia indícios de que qualquer agente estrangeiro tivesse tentado ou conseguido alterar “qualquer aspecto técnico” da eleição de 2020.

A versão pública da avaliação concluiu que o presidente russo, Vladimir Putin, autorizou operações de influência para favorecer Trump e enfraquecer a confiança no processo eleitoral americano.

O documento também afirma que a China chegou a considerar ações para influenciar o resultado da eleição, mas desistiu da ideia. Já o Irã conduziu uma campanha secreta “em várias frentes” para prejudicar a candidatura de Trump.

O relatório foi elaborado pelo Conselho Nacional de Inteligência, principal órgão de análise da comunidade de inteligência dos EUA, em conjunto com a CIA, o Departamento de Segurança Interna, o FBI e a Agência de Segurança Nacional (NSA).



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