Vance diz que Israel tentou impedir acordo com Irã – 16/07/2026 – Mundo

Vance diz que Israel tentou impedir acordo com Irã -


O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, disse, na quarta-feira (15), que membros do governo de Israel tentaram influenciar a opinião pública americana para impedir um acordo dos EUA que poria fim à guerra com o Irã.

Em paralelo, nesta quinta (16), Israel afirmou ao Pentágono que manterá forças militares no Líbano, na Síria e em Gaza.

Os comentários de Vance ecoaram críticas anteriores à política do governo israelense, em meio a uma crescente divergência pública entre os dois países. Vance é visto por muitos como um futuro candidato presidencial.

Ele defendeu o acordo alcançado no mês passado para acabar com a guerra. Críticos o atacaram por não conter o programa de mísseis do Irã e por não oferecer um caminho claro para desmantelar suas instalações nucleares, além de limitar Israel em sua guerra contra o Hezbollah no Líbano.

“Eu sei, sem sombra de dúvida, que houve pessoas dentro do governo israelense que estão tentando, na verdade, nos afastar dessa política porque querem continuar a campanha militar”, disse Vance.

Segundo ele, esses grupos “estão manipulando e tentando mudar a opinião pública americana para manter a guerra por tempo indeterminado”.

Vance disse que muitos países, tanto aliados quanto adversários, tentam influenciar a política americana e que “não me incomoda que Israel tente fazer isso, francamente não me incomoda nem mesmo que a Rússia ou alguns desses outros países o façam”. Ele afirmou que isso é “apenas a natureza de ser um líder político em 2026”.

“O que me incomoda é quando essas operações, essas campanhas de influência, de fato afetam o julgamento político americano”, afirmou.

Em junho, Vance já havia atacado os críticos israelenses do acordo com o Irã, afirmando que o presidente americano Donald Trump é o único aliado de Israel, em uma dura repreensão que fez referência aos bilhões de dólares em ajuda de defesa que o país recebe dos EUA.

Altas autoridades israelenses, falando sob condição de anonimato, disseram que os termos do acordo eram ruins para Israel porque não abordavam as preocupações sobre o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irã, uma visão que, segundo elas, é compartilhada por toda a liderança do Estado judeu.

Quando questionado se achava que os EUA teriam se envolvido na guerra mais recente com o Irã se não fosse pela influência israelense, Vance disse: “Sim, sim, eu acho”.

“Acho que o presidente, independentemente de qualquer influência de Israel, acredita firmemente e, repito, eu concordo com isso— que o Irã não deve ter uma arma nuclear”, disse.

O gabinete do primeiro-ministro de Israel não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Nesta quinta-feira, o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, afirmou ao seu homólogo americano, Pete Hegseth, que Israel está determinado a manter suas forças em “zonas de segurança”, estabelecidas no Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza.

O gabinete de Katz afirmou em um comunicado que há “o objetivo de proteger as fronteiras de Israel e as comunidades próximas à fronteira contra as ameaças representadas pelas forças jihadistas.”

A declaração foi divulgada após o anúncio, por parte dos Estados Unidos, de que as negociações realizadas na terça (14) e na quarta-feira em Roma entre Israel e Líbano foram positivas e que, nos próximos dias, começará a implementação das chamadas zonas-piloto, das quais as tropas israelenses devem se retirar.

Trump, pediu ao primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que retirasse as forças de Israel da Síria e do Líbano, segundo o portal Axios.

“Nunca pedimos aos Estados Unidos que operem em nosso lugar ao longo de nossas fronteiras”, acrescenta o comunicado de Katz. No Líbano e em Gaza, as forças israelenses estão presentes nos territórios e efetuam operações diárias contra o Hezbollah e o Hamas.

No caso do Líbano, as forças israelenses permanecem mobilizadas no que o Exército descreve como uma zona de segurança, que se estende por quase 10 quilômetros dentro do território libanês, e continuam efetuando ataques limitados no sul.

Em Gaza, o Exército israelense controla 60% do território. Está presente em todo o perímetro externo do território palestino, ao longo das fronteiras com Israel e com o Egito.



Fonte CNN BRASIL

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