O engenheiro-chefe da usina nuclear de Zaporíjia, controlada pela Rússia, foi morto em um ataque com drone atribuído à Rússia nas proximidades da instalação, afirmou nesta quarta-feira (15) o diretor da Rosatom, a estatal russa do setor nuclear.
Alexei Likhachev escreveu em comunicado que um drone ucraniano atingiu um veículo entre as instalações da usina e a cidade de Enerhodar, matando o engenheiro Alexandr Iakovlev e o motorista.
As forças russas tomaram a usina no sudeste da Ucrânia, a maior da Europa, contando com seis reatores, nas primeiras semanas da invasão russa à Ucrânia em 2022. Desde então, cada lado tem acusado o outro de ações militares que colocam em risco a segurança nuclear.
A cidade de Enerhodar, onde vive a maior parte dos funcionários da usina nuclear, tem sido alvo frequente de ataques.
Likhachev afirmou que a falta de reação dos países ocidentais aos ataques contra a usina “encoraja a escalada de atos terroristas por parte do governo ucraniano”, informando que os ataques na região mataram 13 pessoas e feriram 48 nos últimos dois meses e meio.
Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão de vigilância nuclear da ONU, condenou o caso, sem fazer menção específica à Kiev ou Moscou.
“O ataque representa uma agressão inaceitável contra a usina e sua administração, ameaçando gravemente a segurança nuclear”, disse o diretor-geral.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, escreveu no Telegram: “Este é um crime do regime de Kiev que Grossi precisa finalmente enxergar —exigimos uma declaração clara condenando este assassinato por parte dos organismos internacionais competentes, em primeiro lugar a AIEA”.
O Kremlin acusou na última sexta-feira (10) a Ucrânia de intensificar o que chamou de “ações de terror” contra a usina. O porta-voz, Dmitri Peskov, acusou a Ucrânia de fazer ataques contra infraestrutura civil e contra infraestrutura diretamente relacionada à usina.
Em comunicado no Telegram nesta quinta-feira (16), o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia rejeitou as acusações russas.
“Nenhuma confirmação independente da versão russa ou evidência do envolvimento da Ucrânia foi apresentada, e informações das autoridades de ocupação russas não podem ser consideradas confiáveis”, escreveu o ministério, que acrescentou que a Rússia está tentando usar as acusações para intimidar a comunidade internacional com a ameaça de um incidente nuclear.




