Cruzeiro gay tem entrada negada na Turquia e no Egito – 17/07/2026 – Mundo

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Um cruzeiro voltado a passageiros gays deu voltas pelo Mediterrâneo na semana passada, após dois países muçulmanos negarem permissão para o navio atracar em suas águas.

O navio Scarlet Lady, fretado pela Atlantis Events —uma empresa de turismo LGBTQIA+—, estava programado para parar no dia 7 de julho em Kusadasi, cidade turística na costa do mar Egeu, na Turquia.

No entanto, quando se preparava para zarpar de Atenas, a embarcação foi informada de que não poderia atracar, disse Rich Campbell, presidente da empresa.

Como alternativa, o cruzeiro obteve aprovação para atracar no Egito em 9 de julho, afirmou ele —mas também teve a entrada negada, quando estava a apenas quatro horas do porto de Alexandria.

Autoridades locais da província de Aydin, na Turquia, disseram que o cruzeiro havia sido “planejado por grupos conhecidos por comportamentos que não se alinham com a estrutura da nossa sociedade” e que “causou grande desconforto” aos turcos.

O Egito não apresentou uma justificativa, disse Campbell, mas ele afirmou supor que tenha sido algo semelhante.

O Consulado Egípcio não respondeu a um pedido de comentário da reportagem.

No final das contas, o cruzeiro passou um dia em alto-mar e depois seguiu para Creta, na Grécia, uma parada que já estava agendada anteriormente.

O Egito e a Turquia são países de maioria muçulmana cujos governos intensificaram, nos últimos anos, campanhas de exclusão contra pessoas gays.

O Scarlet Lady, que transportava 1.900 passageiros —em sua maioria americanos e predominantemente homens gays—, é conhecido por suas festas à fantasia e por atrair grandes nomes do entretenimento LGBTQIA+. Outras paradas do cruzeiro de dez dias pelo Mediterrâneo incluíam Dubrovnik, na Croácia, e Trieste, na Itália.

À primeira vista, a escolha dos destinos configurava um potencial choque de culturas, mas Campbell disse que não precisava ser esse o caso. “O conservadorismo e o turismo podem coexistir”, afirmou ele. “Eles não deveriam ser mutuamente excludentes.”

Campbell contou que os cruzeiros de sua empresa voltados para passageiros gays já haviam parado nesses países anteriormente e que esta foi a primeira vez que tiveram a permissão negada por motivos aparentemente políticos.

Para os operadores do cruzeiro e alguns de seus passageiros, a rejeição pareceu não apenas excludente, mas também ilógica. Tanto o Egito quanto a Turquia dependem economicamente do turismo, e a guerra no Oriente Médio tem prejudicado as viagens para a região desde fevereiro. Pequenos operadores turísticos têm sido fortemente afetados.

“As pessoas na Turquia sabiam que estávamos indo; teria sido um impacto enorme para a economia”, disse Randy Slovacek, jornalista e passageiro do Scarlet Lady. “Muitos de nós agendamos excursões pagas.”

“Isso não é muito inteligente”, resumiu Slovacek sobre a decisão de negar a entrada.

Patti LuPone, renomada atriz e cantora da Broadway, estava no cruzeiro para se apresentar e usou as redes sociais para expressar sua opinião.

“Estou chocada”, disse ela em sua publicação. “Um navio —um navio magnífico— cheio de homens gays. E eu. Entrada negada na Turquia simplesmente por causa de quem está a bordo. Estou furiosa, mas continuo navegando.”

Já houve casos anteriores de cruzeiros semelhantes que tiveram a permissão de atracar negada. Em 2012, o Ministério do Interior de Marrocos proibiu um cruzeiro de parar em Casablanca devido a preocupações de que isso pudesse desencadear protestos conservadores.

E, em 1998, as Ilhas Cayman negaram a entrada de um cruzeiro da Atlantis Events que transportava 900 passageiros, a maioria gays; o navio foi reconduzido para Belize.

A Virgin Voyages, proprietária do Scarlet Lady, descreve a excursão pelo Mediterrâneo como uma experiência “hipersocial e infinitamente interativa” que muda “tudo o que você pensava sobre se divertir no oceano”. Havia planos para uma festa chamada It’s Bazaar, para exibir as relíquias encontradas após um dia de compras nos mercados turcos.

Slovacek disse, no entanto, que as festas eram apenas um aspecto do cruzeiro, mesmo que os turcos e os egípcios tivessem a impressão de que o navio “levaria libertinagem” para lá. De qualquer forma, ele disse que está seguindo em frente.

“Nenhuma comunidade marginalizada quer ser chutada para a sarjeta”, afirmou Slovacek. “Nós rimos disso. Não irei para a Turquia nem para o Egito. Vou me lembrar de que foi assim que fui tratado.”



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