O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (16) que classificaram o cartel de Juárez e o grupo Los Viagras, ambos do México, de organizações terroristas estrangeiras.
A designação amplia a lista de grupos classificados por Washington como organizações terroristas. No ano passado, os EUA já haviam adotado a mesma medida contra seis cartéis e organizações criminosas mexicanas.
Essa classificação confere às autoridades americanas instrumentos legais mais amplos para investigar, processar e combater esses grupos. A medida se insere em uma ofensiva de Washington contra o crime organizado na América Latina e no Caribe.
“O Cartel de Juárez e Los Viagras são violentos cartéis narcoterroristas que perpetraram numerosos ataques contra americanos, forças de segurança mexicanas e civis, incluindo o massacre de 2019 em Sonora de nove cidadãos americanos —três adultos e seis crianças— assassinados por sicários de La Línea, a facção dominante do Cartel de Juárez”, diz nota divulgada pelo Departamento de Estado.
O crime em questão, ocorrido em 4 de novembro de 2019, causou comoção em ambos os lados da fronteira. Na ocasião, uma família da comunidade mórmon que viajava em uma caminhonete foi atacada a tiros por um comando armado.
Desde que retornou à Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou o combate aos cartéis transnacionais e ao crime organizado. Em fevereiro de 2025, anunciou a decisão de classificar esses grupos de organizações terroristas, medida que despertou críticas de especialistas e setores jurídicos.
Em 20 de fevereiro de 2025, a Casa Branca designou como terroristas o cartel de Sinaloa, o Jalisco Nueva Generación, o cartel do Golfo, o cartel do Nordeste (antigos Zetas), a Nueva Familia Michoacana e os Cárteles Unidos.
A mesma classificação também foi aplicada a grupos guerrilheiros colombianos e a organizações criminosas atuantes na Venezuela e no Brasil, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
“As designações expõem e isolam entidades e pessoas, negando-lhes o acesso ao sistema financeiro dos EUA e aos recursos de que precisam para realizar ataques”, acrescentou o Departamento de Estado.
Na avaliação do governo Trump, a medida também amplia a base legal para operações de combate ao narcotráfico, como as ações feitas com frequência contra embarcações de supostos traficantes no Caribe e no Pacífico. Segundo autoridades americanas, essas operações já deixaram mais de 200 mortos.
Washington também sustenta que pode ter o direito de atingir líderes de cartéis e organizações criminosas mesmo fora do território americano, em uma estratégia semelhante à adotada durante décadas contra grupos como a Al Qaeda e o Estado Islâmico.
Especialistas em direito e organizações internacionais, porém, questionam a solidez jurídica dessa equiparação entre narcotráfico e terrorismo.
Um exemplo citado por defensores dessa abordagem foi a morte de Héctor “Niño” Guerrero, líder da organização venezuelana Tren de Aragua —também classificada pelos EUA de grupo terrorista estrangeiro. Ele foi morto em um ataque americano realizado em território venezuelano, em 13 de junho, com a colaboração do regime de Delcy Rodríguez.
O México, por sua vez, mantém oposição a qualquer intervenção militar americana em seu território.




