Um tribunal da Espanha determinou nesta quinta-feira (16) que a esposa do primeiro-ministro Pedro Sánchez, Begoña Gómez, será julgada por suposto tráfico de influência e peculato, frustrando sua última esperança de evitar o banco dos réus.
A saga judicial de dois anos de Gómez é um dos vários escândalos de corrupção que colocam em risco o governo de esquerda de Sánchez, marcado por embates com Israel e com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O juiz Juan Carlos Peinado abriu uma investigação em abril de 2024 para determinar se Gómez havia explorado sua posição como esposa de Sánchez para benefício próprio, o que ela e o primeiro-ministro negam.
O caso gira em torno da criação e gestão de uma cátedra na Universidade Complutense de Madri, que foi codirigida por Gómez, bem como do suposto uso de recursos públicos e conexões pessoais para promover os próprios interesses.
Peinado encerrou sua investigação em abril e acusou Gómez de peculato, tráfico de influência, corrupção em negócios e apropriação indébita de fundos. Ele ordenou um julgamento com júri e proibiu Gómez de deixar o país, medidas contra as quais sua equipe jurídica recorreu.
O tribunal provincial de Madri disse em comunicado que manteve as duas acusações de tráfico de influência e peculato, mas rejeitou as de corrupção em negócios e apropriação indébita. O júri também suspendeu a proibição de viagem de Gómez, e não cabe recurso contra a decisão.
Sánchez rechaçou as acusações e as classificou como uma tentativa política de minar seu governo. A denúncia que deu origem ao caso partiu de um grupo anticorrupção com vínculos com a extrema direita.
Casos de corrupção separados envolvem o irmão do líder socialista, David, figuras de destaque do partido e seu mentor —o ex-primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero.
Na terça-feira (14), um tribunal proibiu David Sánchez de ocupar cargos públicos por nove anos após condená-lo por improbidade administrativa na criação de um um cargo público encomendado.
O principal Partido Popular (PP), conservador, e o Vox, de extrema direita, dizem que a sucessão de escândalos prova a corrupção sistêmica do partido socialista, exigindo a renúncia de Sánchez e eleições antecipadas.
“Esta é uma situação sem precedentes na democracia espanhola e inconcebível em qualquer democracia europeia”, disse o PP.
Sánchez defendeu a probidade de seu governo e insiste que cumprirá seu mandato até a próxima eleição geral, programada para 2027.




