O Irã lançou mais ataques contra aliados de Washington no Golfo e a Jordânia, neste sábado (18), após a sétima noite consecutiva de investidas dos EUA a alvos militares iranianos, intensificando a guerra uma semana depois do colapso de um cessar-fogo.
O Kuwait sofreu ataques contínuos. Uma usina de dessalinização foi atingida e as operações no Aeroporto Internacional do país foram suspensas devido a repetidas ameaças de mísseis e drones.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atingido um centro de apoio militar dos EUA em Camp Arifjan e destruído uma instalação de radar na Base Aérea Ali Al Salem.
A Kuwait Petroleum Corporation informou posteriormente que uma de suas instalações petrolíferas havia sido atingida em “repetidos ataques iranianos”, causando danos significativos e alguns feridos, segundo a agência de notícias estatal.
As forças armadas do Kuwait disseram ter interceptado mísseis balísticos e drones iranianos na madrugada, acrescentando que vários bombeiros e trabalhadores do setor petrolífero ficaram feridos ao responder aos ataques. O Irã estava reagindo a ataques dos EUA contra pontes, instalações de energia e outras infraestruturas.
“Como não há instituição internacional para impedir a barbárie dos militares dos EUA, não temos outro caminho a seguir senão o mandamento do Alcorão: ‘Quem atacar vocês, ataquem-no da mesma maneira'”, disse a Guarda iraniana, em um comunicado, alertando os aliados dos EUA na região para esperarem mais ataques.
O Ministério da Saúde do Irã informou que 50 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas em ataques dos EUA nas últimas três semanas, segundo a agência de notícias semioficial Ilna.
A Guarda Revolucionária do Irã atacou um local no Bahrein onde aeronaves de combate dos EUA estavam concentradas, na Base Aérea Sheikh Isa, bem como um centro de dados de inteligência, segundo a mídia estatal iraniana.
A Guarda afirmou também ter destruído pelo menos dois caças e três outras aeronaves dos EUA durante um ataque com mísseis e drones na madrugada de sábado contra a base americana em Al Azraq, na Jordânia, conforme relatado pela TV estatal iraniana.
A Reuters não conseguiu verificar os relatos de forma independente.
O Irã também lançou ataques contra a Arábia Saudita pela primeira vez, em cerca de três meses, segundo duas pessoas a par do assunto, acionando alarmes de alerta precoce em Al-Kharj, a leste da capital Riad, e em Yanbu, na costa do Mar Vermelho do reino.
Essas fontes informaram que um dos ataques teve como alvo a Base Aérea Príncipe Sultan, em Al-Kharj, que abriga forças dos EUA.
A mídia estatal saudita não detalhou o que motivou os alertas precoces, e o escritório de comunicação do governo não respondeu a um pedido de comentário. A IRGC não mencionou qualquer ataque à Arábia Saudita.
Os preços do petróleo subiram mais de 4% na sexta-feira, atingindo o nível mais alto em mais de um mês, o que aumenta a pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, num momento em que seu Partido Republicano tenta manter o poder nas eleições legislativas de novembro.
Washington e Teerã vêm testando os limites da escalada de tensão desde que o acordo de cessar-fogo fracassou na semana passada, levantando a possibilidade de um retorno a uma guerra em larga escala.
Na sexta-feira, ambos os lados voltaram-se contra o tráfego marítimo: os EUA afirmaram estar impondo um bloqueio naval, enquanto o Irã disse ter atacado embarcações que violaram suas regras de navegação no estreito de Hormuz —uma via navegável vital por onde passa um quinto do suprimento mundial de petróleo.
A mídia iraniana relatou que vários mísseis atingiram instalações de energia e bombas de dessalinização na cidade de Jask, no sul do país, no sábado, citando uma autoridade local.
Cerca de 10 mil pessoas em 20 vilarejos ficaram sem água, informou a agência de notícias Tasnim. O governador de Jask disse posteriormente que o fornecimento emergencial de água para as localidades afetadas já havia começado.
Uma usina de geração de energia e dessalinização de água no Kuwait foi atingida em um ataque iraniano, informou o Ministério de Eletricidade, Água e Energia Renovável do país em um comunicado.
Foi o segundo ataque a instalações de dessalinização de água do Kuwait em dois dias. O Ministério das Relações Exteriores do Kuwait afirmou que o fato de o Irã ter como alvo infraestruturas vitais colocou civis em risco e violou o direito internacional, acrescentando que considera Teerã totalmente responsável pelos ataques.
Mais cedo, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou ter concluído seu sétimo dia consecutivo de ataques, atingindo instalações de vigilância iranianas, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas.
A mídia iraniana relatou ataques na província de Hormozgan, no estreito de Hormuz, na madrugada de sábado. A TV estatal informou que três pessoas morreram e oito ficaram feridas, enquanto duas pontes e um túnel rodoviário foram danificados.
Um dia antes, a estatal iraniana informou que ofensivas dos EUA atingiram pelo menos cinco pontes no sul. Sete pessoas foram mortas em ataques a pontes no porto de Bandar Khamir, onde uma estação ferroviária também foi atingida. Um aeroporto foi atingido em Iranshahr, mais a leste.
Autoridades americanas afirmaram que os ataques ao sul do Irã foram planejados em parte para fornecer opções a Trump, que também não descartou um ataque terrestre à costa ou às ilhas do país.
Os ataques correm o risco de provocar o Irã a realizar novos ataques à infraestrutura vital dos estados do Golfo, ou a renovar os esforços dos aliados de Teerã no Iêmen para interromper o fornecimento global de energia, atacando a navegação no Mar Vermelho.




