O novo comandante das Forças Armadas da Ucrânia, general Mikhailo Dapratii, afirmou nesta quarta-feira (22) que irá aumentar os ataques contra a Rússia “em todos os domínios” e estimular o avanço tecnológico a serviço dos militares.
“O presidente definiu tarefas claras para nós: continuar e intensificar as ações ofensivas em todos os domínios, planejar novas operações atrás das linhas inimigas, desenvolver o Exército e suas tecnologias e aumentar as capacidades das Forças Armadas”, escreveu o militar no Facebook, em sua primeira manifestação no cargo.
Com isso, Drapatii dá uma dupla sinalização aos manifestantes que foram à rua exigir a queda de seu antecessor, Oleksander Sirskii, e protestar contra a demissão do ministro da Defesa Mikhailo Fedorov pelo presidente Volodimir Zelenski.
O novo chefe militar busca assegurar que não haverá mudança na campanha contra o sistema energético e transporte marítimo russos e se mostra adepto da revolução no emprego dos drones para reduzir as baixas entre soldados.
Sirskii era rival de Fedorov, um entusiasta da guerra à distância, e visto como adepto de táticas mais antigas de alto atrito. As operações de ataques e infiltração no território russo ficavam majoritariamente sob coordenação do SBU (Serviço de Segurança da Ucrânia, na sigla local), uma agência independente.
Os manifestantes não parecem ter se sensibilizado e marcaram mais um protesto, agora centrado em Kiev, para a próxima sexta (24). Eles ainda exigem a volta de Fedorov ao Ministério da Defesa, ocupado interinamente por Ievhenni Khmara.
“Bom, pessoal, se preparem para a sexta —nós ainda temos de trazer Fedorov de volta”, escreveu no X um dos organizadores dos atos, o veterano de guerra Dmitri Koziatinski. Segundo ele, se isso não ocorrer, as manifestações serão mantidas.
Será uma queda de braço com Zelenski, que busca demonstrar que a página foi virada. Na terça (21), quando anunciou Dapratii, ele disse que havia oferecido um cargo ao ex-ministro Fedorov, sem especificar qual ou se foi aceito.
Nesta quarta, ele anunciou a nova estrutura do comando militar, com o general Ihor Skibiuk ocupando o segundo posto da hierarquia como chefe do Estado-Maior. Publicando foto ao lado dos militares e do ministro interino no X, disse que a decisão foi tomada em conjunto com Drapatii e Khmara.
Também naquela rede social, Fedorov veio a público elogiar a escolha de Drapatii, uma estocada em seu desafeto Sirskii. Saudou “a lufada de ar fresco” e, após agradecer ao general rival por seu trabalho, disse que “temos de nos mover ainda mais rápido e corrigir os erros do passado”.
Nenhuma palavra sobre Khmara, o que parece manter a porta aberta para os manifestantes que exigem sua volta ao cargo, que receberam uma menção indireta: “Obrigado a todos que fizeram isso possível”.
Na turva política ucraniana, Fedorov é visto como uma estrela em ascensão. Com apenas 35 anos e o discurso tecnocrático aplicado às Forças Armadas, ele assumiu o papel de defensor do soldado comum.
Junta-se assim ao antecessor de Sirskii, o popular Valeri Zalujni, como mais um óbice às pretensões de Zelenski de permanecer no poder quando o país voltar a ter eleições. O mandato do presidente acabou em maio de 2024, mas a lei marcial em vigor impede a realização de pleitos.
No campo de batalha, a troca de ataques continua. Na Ucrânia, 100 mil pessoas ficaram sem energia após bombardeios russos no norte do país, e o Ministério da Defesa em Moscou anunciou a tomada de mais duas vilas em Zaporíjia (sul).
Já Kiev lançou uma nova onda de drones contra os rivais, atingindo mais um centro de distribuição logística da gigante de e-commerce Wildberries, equivalente russa da Amazon. O Kremlin disse que isso prova que os ucranianos estão mirando alvos civis em sua campanha.




