
A Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, revela que o comércio global manteve um ritmo acelerado no primeiro semestre de 2026, estimulado pela demanda por alta tecnologia e sinalizando valor anual recorde.
Mesmo assim, a agência da ONU prevê uma grave pressão sobre os preços devido a conflitos geopolíticos. Dos países de língua portuguesa, apenas o Brasil é citado com um destaque pela alta de importações em contraste com a estagnação em grande parte das principais economias mundiais.
Estima-se que o comércio global alcançou US$ 2 trilhões no período em análise. Grande parte dessa alta não reflete um maior volume de mercadorias, mas sim o encarecimento do frete, da energia e dos insumos industriais.
Em termos percentuais, o crescimento do comércio mundial no primeiro trimestre de 2026 atingiu aproximadamente 4% em relação ao trimestre anterior, alavancado pela expansão de 4,8% no comércio de bens e de 1,6% no setor de serviços.
As estimativas da Unctad sinalizam que essa força deverá continuar no segundo trimestre, projetando uma aceleração de 6,4% para bens e 2,1% para serviços.
Esse avanço financeiro disfarça gargalos físicos relevantes. As perturbações no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz e as incertezas geopolíticas em relação ao fornecimento de energia fizeram subir os custos de transporte, logística e produção.
O resultado foi a aceleração da inflação do comércio global para 3,6% no primeiro trimestre com possível alcance de 5,1% no segundo trimestre. Nos últimos 12 meses, a subida desses custos manteve uma média de 3,4%, confirmando a que valores das cadeias de suprimento continuam altos.
Para o Brasil, o desempenho é notado. Enquanto a maioria das grandes potências manteve os volumes de importação praticamente inalterados no primeiro trimestre de 2026 em relação ao período anterior, o país cresceu 3% nas suas importações.
Nos últimos quatro trimestres acumulados, o Brasil também teve uma alta na compra de bens estrangeiros. O comércio de serviços revelou mais discrepâncias entre os blocos econômicos.
Pelo lado das importações de serviços, enquanto economias como Índia, Coreia do Sul e Rússia reduziram suas compras externas, o Brasil e a União Europeia registraram aumentos expressivos na procura.
Sobre as exportações de serviços, a Coreia do Sul teve mais ganhos mundiais com uma alta de 9%, acompanhada por expansões na Rússia e na União Europeia. Em contrapartida, o Brasil viu baixar as vendas de serviços ao exterior.
Em termos regionais e setores industriais, o Unctad revela que o ritmo de expansão comercial permanece heterogêneo. O Leste Asiático confirmou-se como grande motor do comércio de mercadorias no início de 2026 com a forte atividade chinesa e sul-coreana.
Já nas Américas e na África, a taxa de crescimento das importações superou a média mundial, embora o desempenho das exportações tenha continuado relativamente modesto.
A economia mundial passa por reorganização de prioridades tendo primeiro como setores em forte expansão a transição energética e a corrida pela inteligência artificial.
Ambos continuam impulsionando a procura por semicondutores, equipamentos de Tecnologia da Informação e Comunicação, TIC, máquinas elétricas, baterias, minerais críticos e veículos elétricos.
Já em sentido oposto estão segmentos industriais tradicionais que enfrentaram perda de fôlego, com reduções registradas na comercialização de produtos químicos, ferro, aço e em certos ramos de energia renovável.
Com recordes globais previstos para este ano, o desafio dos próximos trimestres estará na capacidade das economias absorverem os custos crescentes do transporte e das commodities sem comprometer o volume físico das trocas internacionais.
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