
Quase metade da população das Américas, ou duas em cada cinco pessoas, vivem com pelo menos uma doença neurológica não transmissível ou relacionada a lesões.
Isso significa cerca de 470 milhões de pessoas afetadas por condições como enxaqueca, acidente vascular cerebral, epilepsia, doença de Alzheimer, transtornos do espectro autista, entre outros.
Os dados fazem parte de um novo estudo publicado no veículo “The Lancet” e liderado por pesquisadores da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas.
Os distúrbios neurológicos afetam o cérebro, a medula espinhal e os nervos periféricos, podendo prejudicar o movimento, a memória, o aprendizado, a comunicação e o comportamento.
Em 2023, essas condições foram responsáveis por cerca de 1,1 milhão de mortes e 37,5 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade, uma medida que combina anos de vida perdidos devido à morte prematura e anos vividos com doença ou incapacidade.
A enxaqueca foi avaliada como a principal causa de anos de vida ajustados por invalidez seguida pela doença de Alzheimer e outras demências, acidente vascular cerebral isquêmico e hemorragia intracerebral.
Entre crianças menores de cinco anos, defeitos do tubo neural, transtornos do espectro autista e epilepsia foram as principais causas de perda de saúde neurológica.
Já no quadro de adolescentes e jovens adultos, a enxaqueca surgiu como uma das principais causas de incapacidade. Em idosos, a doença de Alzheimer, outras demências e o acidente vascular cerebral, AVC, foram responsáveis pela maior parte dos problemas.
O estudo constatou que uma grande parcela da perda de saúde neurológica nas Américas poderia ser evitada com mudanças de hábito.
Segundo o estudo, a hipertensão arterial foi o principal fator de risco para AVC, enquanto níveis elevados de glicose no sangue contribuíram significativamente para a incidência da doença de Alzheimer e outras demências.
Os pesquisadores também identificaram a exposição a fatores ambientais, particularmente chumbo e poluição do ar, como relevantes para a incidência de diversas doenças neurológicas.
O especialista em métricas de saúde da Opas e principal autor do estudo, Ramón Martínez, explicou que atualmente, “mais pessoas sobrevivem a distúrbios neurológicos, mas também vivem mais tempo com suas consequências”.
Ele afirmou que os sistemas de saúde precisam se adaptar para atender às crescentes necessidades de reabilitação, cuidados de longa duração e serviços de apoio para pessoas com deficiência.
Embora as taxas de mortalidade tenham diminuído entre 1990 e 2023, o número total de pessoas afetadas continuou a aumentar, influenciado pelo crescimento e envelhecimento da população. Os resultados apontam para uma transição epidemiológica na região.
O levantamento examinou 19 doenças neurológicas não transmissíveis e relacionadas a lesões em 38 países e territórios entre 1990 e 2023.
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