Quatro palestinos e dois israelenses morreram em episódio de violência envolvendo tiros na Cisjordânia ocupada por Israel nesta sexta-feira (24), segundo autoridades. O caso representa mais uma escalada na tensão entre colonos israelenses e palestinos, que vem se intensificando nas últimas semanas.
O incidente ocorreu nas proximidades da vila de Tal, a sudoeste de Nablus, em meio a um aumento dos ataques de colonos contra vilarejos palestinos desde o início do ano, segundo dados das Nações Unidas.
As Forças Armadas de Israel informaram que enviou tropas à região após receber relatos de que civis israelenses que faziam uma trilha na região foram atacados perto da vila, na chamada Área A da Cisjordânia —uma região sob controle civil e de segurança da Autoridade Palestina, onde a entrada de israelenses é oficialmente proibida.
Segundo os militares, um homem palestino tomou uma arma de agentes de segurança israelenses do assentamento próximo de Havat Gilad e atirou, ferindo vários israelenses antes de ser morto. O Exército afirmou que quatro palestinos morreram no episódio.
Autoridades palestinas, por sua vez, afirmam que moradores da cidade de Tal foram atacados por civis israelenses. Segundo elas, quatro palestinos morreram e outros quatro ficaram feridos em disparos feitos por colonos e soldados israelenses.
A três meses das eleições em Israel, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu anunciou nesta sexta que seu governo expandirá os assentamentos na Cisjordânia.
O território é reconhecido pela comunidade internacional como sendo palestino, formando a base para um futuro Estado. Os assentamentos são ilegais perante o direito internacional —a Convenção de Genebra proíbe um país que ocupa um território de transferir sua população para a região ocupada.
O ministro das Finanças, o extremista Bezalel Smotrich, usou o episódio desta sexta para afirmar que as vilas palestinas próximas deveriam ser esvaziadase que novos assentamentos deveriam ser estabelecidos nas proximidades para garantir a segurança.
“Esta é a nossa resposta sionista apropriada aos terroristas e ao terrorismo, bem como ao desejo de prejudicar nosso controle sobre as áreas do nosso país”, afirmou em um comunicado.
Israel fechou temporariamente os acessos a Nablus e à região de Tal, e tropas montaram barreiras nas estradas .
Essam Saifi, líder local do partido palestino Fatah em Tal, disse à agência Reuters, por telefone, que cerca de 25 a 30 colonos judeus atacaram inicialmente a parte leste de Tal e tentaram invadir duas casas. Segundo ele, os moradores saíram para confrontá-los, e os colonos atiraram.
Cerca de meia hora depois, afirmou Saifi, os israelenses retornaram e atacaram a parte oeste da cidade, atingindo um menor de 18 anos com uma arma. A confusão aumentou e, segundo ele, soldados israelenses chegaram ao local e passaram a atirar junto com os colonos.
Em um incidente separado nesta sexta, a Autoridade Palestina informou que colonos atacaram uma vila próxima à cidade de Qalqilya, ferindo duas pessoas e incendiando árvores e carros. O Exército israelense não estava imediatamente disponível para comentar o caso.
Segundo dados da Autoridade Palestina, 87 palestinos foram mortos na Cisjordânia desde o início deste ano, incluindo 21 mortos por colonos israelenses. Dados das Nações Unidas indicam que cerca de 850 palestinos ficaram feridos em ataques de colonos israelenses desde o começo do ano.




