A ativista de extrema direita americana Laura Loomer se encontrou com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, dentro da residência cerimonial do ucraniano, coroando sua jornada de crítica ferrenha de Kiev a uma de suas maiores defensoras no movimento Maga (Make America Great Again).
Uma das influenciadoras favoritas do presidente Donald Trump, Loomer vinha até recentemente dizendo a seus milhões de seguidores que a Ucrânia era corrupta, não merecia o apoio dos EUA e era liderada por um “apologista da Jihad”.
Mas ela abandonou o que eram narrativas favoráveis ao Kremlin para elogiar a resiliência da Ucrânia na luta contra a agressão russa, chegando a viajar para Kiev este mês para demonstrar sua solidariedade.
Na quinta-feira, ela se encontrou com Zelenski no Palácio Mariinski, segundo dois funcionários do gabinete presidencial.
“Eu disse essas coisas sobre a Ucrânia e Zelenski e não estou apagando minhas postagens porque percebi que estava errada”, publicou Loomer no X, de Kiev, na segunda-feira.
Uma hora antes, ela postou um vídeo de si mesma viajando a bordo dos famosos trens azuis e amarelos da Ucrânia. “Não estou na Rússia porque não sou propagandista”, dizia o texto —em russo— que acompanhava a postagem.
A aparente mudança de Loomer é marcante tanto por sua proximidade com Trump quanto por sua proeminência na extrema-direita americana, com um público profundamente cético em relação ao apoio dos EUA ao país.
Com o presidente ainda aparentando seguir seus conselhos sobre tudo, políticas e pessoais, seu abraço público à Ucrânia levantou questionamentos sobre sua mudança de posição sobre a Ucrânia e se ela poderia ajudar a remodelar opiniões na extrema-direita americana.
Poucos ativistas sem cargo no governo desfrutam do acesso a Trump que Loomer tem. Isso parece tê-la ajudado a se conectar com altos funcionários em Kiev, incluindo o próprio Zelenski.
Sergii Kislitsia, primeiro vice-chefe do gabinete presidencial ucraniano, se encontrou com Loomer na quarta-feira e a levou para conhecer os terrenos de quase mil anos de um dos locais mais sagrados da fé ortodoxa oriental.
“Foi interessante sentar e conversar com @LauraLoomer e depois ir ao Kyiv-Pechersk Lavra”, disse ele. A visita deles ocorreu um mês depois que um ataque de drone russo ao mosteiro queimou o telhado de uma de suas catedrais.
Loomer postou um vídeo de dentro da catedral, que ela chamou de “absolutamente deslumbrante” e “incrível”.
“Os russos dispararam dois drones Shahed contra este mosteiro”, disse ela, dando zoom para mostrar as janelas tapadas com tábuas em sua cúpula. “Vladimir Putin constantemente retrata a Rússia como algum tipo de salvador do cristianismo… Bem, se você se importa tanto com o cristianismo, por que atacaria com drones o mosteiro mais antigo da Ucrânia?”
Loomer também visitou um restaurante McDonald’s em Kiev —o primeiro aberto após a queda da União Soviética— que foi repetidamente danificado por ataques russos.
Posando com o cenário de prédios destruídos por mísseis russos em ataques recentes enquanto comia um hambúrguer com batatas fritas, ela elogiou a “resiliência ucraniana”, que ela afirmou permanecer “inabalada”.
Ainda não está claro o que exatamente motivou a aparente mudança de opinião de Loomer. “Para aqueles que estão perguntando, não, o governo da Ucrânia não pagou minha viagem à Ucrânia”, ela escreveu no X.




