Bancos israelenses ameaçam cortar laços com a Cisjordânia – 28/07/2026 – Mundo

Bancos israelenses ameaçam cortar laços com a Cisjordânia - 28/07/2026


Palestinos na Cisjordânia ocupada por Israel são aterrorizados por incursões militares e violência de colonos. Mas uma ameaça mais obscura está prestes a paralisar toda a economia do território.

Duas instituições financeiras israelenses que há muito servem como parceiras dos 13 bancos palestinos —processando transações que viabilizam importações para a Cisjordânia, de alimentos e roupas até gasolina, água e eletricidade— sinalizaram que podem encerrar abruptamente essas relações. Isso cortaria o vínculo financeiro do território com Tel Aviv —e com o mundo exterior.

Se os bancos israelenses rompessem os laços, dizem autoridades, isso equivaleria à imposição de um bloqueio comercial sufocante.

Os bancos há muito se preocupam com a possibilidade de serem expostos a processos judiciais por lavagem de dinheiro ou financiamento do terrorismo, e estão cada vez mais frustrados com o fato de o governo de Israel não protegê-los melhor contra esses riscos.

A perspectiva de serem cortados levou autoridades palestinas a apelar aos governos estrangeiros para que intervenham junto aos israelenses.

Uma reunião sobre o assunto foi marcada para o último dia 23 na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, patrocinada pela Autoridade Monetária Palestina com a participação de funcionários da ONU, do Banco Mundial e do FMI, com o título “O Ponto de Ruptura: Soando o Alarme Antes do Colapso”.

“Há um medo enorme”, disse Feras Milhem, que foi governador da Autoridade Monetária Palestina de 2021 a 2025. “Há também a crença de que isso não vai acontecer, de que Tel Aviv não pode realmente cortar as relações, a menos que queira empurrar os palestinos para a anarquia.”

Uma das duas instituições financeiras israelenses, o Israel Discount Bank, escreveu a seus correspondentes palestinos dizendo que encerrará suas relações de “banco correspondente” com eles até 1º de setembro, de acordo com uma carta obtida pelo The New York Times. O outro, Bank Hapoalim, informou ao Times que estava considerando tomar a mesma decisão.

Em comunicado na quarta-feira (22), o Ministério das Finanças israelense disse que os dois bancos “anunciaram seu desejo de cessar a prestação de serviços de correspondência”.

O ministério disse que estava em negociações com eles para encontrar uma “maneira segura e responsável” de continuar essas relações e que o encerramento poderia ter “implicações negativas para a estabilidade econômica na região”.

O comércio com Tel Aviv é responsável por 55% das importações palestinas e 85% das exportações, disse Milhem. Esse comércio é processado pelos bancos correspondentes.

A raiz da potencial crise está na preocupação dos bancos de que poderiam ser expostos a processos judiciais internacionais sob o argumento de que fornecem financiamento para lavagem de dinheiro ou terrorismo.

Os bancos israelenses exigem que o governo israelense mitigue o risco, emitindo cartas que temporariamente os indenizem contra processos judiciais, além de imunizá-los contra possíveis processos em Israel. Essas cartas têm datas de validade.

Nos últimos anos, autoridades israelenses ameaçaram repetidamente não reemitir as cartas. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, um fervoroso defensor da expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, usou as cartas como alavanca dentro do governo para extrair concessões, incluindo aprovação para postos avançados de colonos.

Todas as vezes, o governo recuou sob pressão internacional, incluindo uma intervenção pública da secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, em 2024.

Desde então, no entanto, Smotrich pressionou os palestinos estendendo a indenização por períodos mais curtos —frequentemente por apenas duas semanas de cada vez— e esperando até o último minuto para fazê-lo, disseram autoridades.

Um assessor de Smotrich, que falou sob condição de anonimato, escreveu em comunicado que o sistema financeiro palestino permanece envolvido em terrorismo e lavagem de dinheiro.

“A exigência de que Israel mitigue esse risco em vez de exigir que a Autoridade Palestina cesse de se envolver em terrorismo e cumpra os padrões internacionais aceitos reflete a hipocrisia e o racismo das baixas expectativas”, argumentou o assessor.

Outros especialistas contestam que o sistema financeiro palestino tomou medidas para impedir que o Hamas e outros grupos extremistas tenham acesso a ele.

“O sistema bancário palestino não é amigo do Hamas, muito pelo contrário”, disse Daniel L. Glaser, que foi secretário assistente para financiamento do terrorismo no Departamento do Tesouro durante o governo de Barack Obama. “E a Autoridade Monetária Palestina não é amiga do Hamas. É uma das poucas coisas que funcionam lá.”

Ainda assim, o governo israelense quer que a Autoridade Palestina se submeta a um nível de auditoria financeira que, conforme afirma, ela não passou anteriormente.

A extensão mais recente da indenização foi de seis meses, até o final de 2026. Os dois bancos israelenses deixaram claro, no entanto, que estão frustrados com a incerteza e as extensões de curto prazo e querem encerrar as relações mais cedo, disseram autoridades israelenses e palestinas.

Os palestinos buscaram um plano de contingência em vão. Elas dizem que trocas de moeda, como em dólar ou euro, seriam suficientes apenas por algumas semanas.

E uma solução mais permanente, como abandonar o shekel israelense como moeda palestina, carrega o risco de que Israel possa interpretar isso como uma retirada dos Acordos de Oslo, que proibiam os palestinos de emitir sua própria moeda e tornaram o shekel a principal moeda de curso legal.

Isso deixa os palestinos contemplando as consequências potencialmente catastróficas do fim das relações bancárias.

A economia da Cisjordânia já está sob enorme pressão devido a medidas punitivas impostas pelo governo de Binyamin Netanyahu após o ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel em outubro de 2023.

Essas medidas incluem a retenção de bilhões de dólares em impostos de importação que Israel arrecada em nome da Autoridade Palestina e o cancelamento de permissões de trabalho para dezenas de milhares de residentes da Cisjordânia que costumavam trabalhar dentro de Israel.

Especialistas econômicos disseram que bens essenciais se tornariam indisponíveis em pouco tempo se a relação entre bancos israelenses e palestinos for desfeita. A Cisjordânia obtém 100% de seu combustível, 93% de sua eletricidade e 35% de sua água de Israel, de acordo com Milhem, o ex-regulador bancário.

Muitos disseram esperar que um mercado negro surgiria, com caminhões israelenses fazendo entregas em troca de sacos de dinheiro —um ambiente propício para exploração por grupos terroristas.

“Não é apenas uma questão humanitária; é uma questão de segurança”, disse Milhem.



Fonte CNN BRASIL

Leia Mais

Saiba como vai funcionar a biometria nas eleições deste ano

Saiba como vai funcionar a biometria nas eleições deste ano

julho 28, 2026

1785228734_image770x420cropped.jpg

Guerra na Ucrânia tem agravamento militar e alta no preço dos cereais

julho 28, 2026

naom_5d3853f22a149.webp.webp

Casos de sarampo já estão em quatro distritos de São Paulo

julho 28, 2026

Bancos israelenses ameaçam cortar laços com a Cisjordânia - 28/07/2026

Bancos israelenses ameaçam cortar laços com a Cisjordânia – 28/07/2026 – Mundo

julho 28, 2026

Veja também

Saiba como vai funcionar a biometria nas eleições deste ano

Saiba como vai funcionar a biometria nas eleições deste ano

julho 28, 2026

1785228734_image770x420cropped.jpg

Guerra na Ucrânia tem agravamento militar e alta no preço dos cereais

julho 28, 2026

naom_5d3853f22a149.webp.webp

Casos de sarampo já estão em quatro distritos de São Paulo

julho 28, 2026

Bancos israelenses ameaçam cortar laços com a Cisjordânia - 28/07/2026

Bancos israelenses ameaçam cortar laços com a Cisjordânia – 28/07/2026 – Mundo

julho 28, 2026