Ataques de Israel em Gaza matam 2 após acordo – 01/08/2026 – Mundo

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Ataques aéreos de Israel na Faixa de Gaza deixaram pelo menos dois mortos e danificaram depósitos de suprimentos médicos neste sábado (1º), informaram autoridades palestinas, apesar do acordo firmado entre o Conselho de Paz liderado pelo presidente americano Donald Trump e o Hamas para avançar o cessar-fogo.

Um dos bombardeios destruiu e danificou as instalações de armazenamento do Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, no centro de Gaza, afirmou Khalil Dagran, porta-voz da instituição. A clínica ambulatorial do complexo também foi atingida, acrescentou ele, embora não haja relatos de vítimas no local.

As Forças de Defesa de Israel disseram ter bombardeado os depósitos sob a alegação de que o grupo terrorista Hamas armazenava armas na estrutura e utilizava o local como esconderijo. Dagran contestou a acusação, acrescentando que as forças israelenses alertaram os palestinos para que deixassem a área antes do ataque.

Um segundo ataque israelense neste sábado, no bairro de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza, matou dois palestinos, segundo autoridades de saúde locais. O Exército de Israel confirmou a ação, mas recusou-se a fornecer detalhes sobre os motivos pelos quais os dois alvos foram atingidos.

Os ataques ocorrem poucos dias após o presidente americano anunciar que o Hamas teria concordado em entregar suas armas durante negociações com o chamado Conselho da Paz —órgão criado por Donald Trump no ano passado para supervisionar a trégua entre Israel e o grupo palestino. O desarmamento do Hamas vinha se arrastando há meses como um impasse central para o avanço do cessar-fogo inicial.

Na sexta-feira (31), após o anúncio do acordo, o Hamas declarou que o “primeiro passo” deveria ser o compromisso de Israel em cessar os ataques, condicionando a entrega do que o grupo classificou como armamento pesado a uma série de outras exigências.

Ainda não está claro se Israel concordou com a proposta. O plano de ação estabelece a retirada gradual das tropas israelenses de Gaza e o fim das operações militares como algumas das precondições para que o Hamas proceda à desativação e armazenamento de seu arsenal.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, ainda não se pronunciou sobre o acordo divulgado na noite de quinta-feira (30). Em comunicado por escrito divulgado na sexta-feira, o governo de Israel afirmou —citando uma autoridade diplomática não identificada— que o Exército não se retirará de suas posições atuais em Gaza sem um desarmamento efetivo por parte do Hamas.

Israel exige há tempos o desarmamento do Hamas para evitar que o grupo militante palestino realize um novo ataque semelhante ao de 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra em Gaza. Contudo, Netanyahu, que enfrenta um cenário eleitoral adverso na disputa pela reeleição no fim deste ano, pode relutar em aceitar qualquer termo que o eleitorado interprete como concessão ao grupo.

Autoridades americanas esperam que a proposta abra caminho para o fim da guerra que já dura quase três anos na Faixa de Gaza, deflagrada pelo ataque liderado pelo Hamas no sul de Israel em outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos e resultou no sequestro de aproximadamente 250 reféns.

A campanha militar israelense contra o Hamas devastou o enclave palestino, provocando a morte de mais de 70 mil pessoas, segundo estimativas de autoridades de saúde locais. O balanço não especifica quantos dos mortos eram combatentes, mas inclui milhares de crianças.

O cessar-fogo firmado em outubro do ano passado, intermediado pelo governo Trump, deveria ter posto fim aos combates. Embora a trégua tenha oferecido aos 2 milhões de moradores de Gaza um alívio temporário de uma possível piora da guerra, a situação esteve distante da paz efetiva.

Israel manteve bombardeios a Gaza em ritmo quase diário, justificando as ações sob a alegação de que o Hamas buscava se rearmar e que os alvos eram militantes do grupo. Mais de mil pessoas foram mortas desde o início da trégua, de acordo com autoridades locais, incluindo crianças pequenas.

Embora as forças israelenses tenham recuado inicialmente para a chamada linha amarela pactuada no cessar-fogo, o Exército promoveu avanços contínuos desde então. Atualmente, Israel controla mais de 60% da Faixa de Gaza, encurralando a maioria dos residentes palestinos em um trecho territorial cada vez menor no litoral.

Tanto os Estados Unidos quanto Israel reiteraram que não permitirão a reconstrução de Gaza enquanto o Hamas mantiver o controle da região e a presença de seus batalhões armados.

A luta armada contra Israel é há muito tempo pilar central da ideologia do Hamas e um mecanismo de manutenção do seu poder. Para diversos integrantes do grupo, qualquer acordo que exija a entrega de armas é visto como equivalente a uma rendição.

Muitos detalhes da proposta ainda precisam ser definidos, e analistas questionam se Israel e o Hamas estão dispostos a levar o processo adiante. O texto atual não estabelece um cronograma definitivo para a entrega do armamento pelo Hamas nem para a retirada gradual das tropas israelenses de Gaza.



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