Grupos internacionais de defesa dos direitos humanos classificaram de crime de guerra um ataque israelense que matou a repórter Amal Khalil e feriu outra jornalista no sul do Líbano.
A Human Rights Watch, a Anistia Internacional e a organização libanesa de defesa dos direitos humanos The Legal Agenda divulgaram na quinta-feira (6) as conclusões de investigações separadas sobre o caso. A classificação feita pelas entidades não tem efeito jurídico imediato, mas é um instrumento de pressão internacional sobre Israel.
O ataque ocorreu no vilarejo de Al-Tiri em 22 de abril, poucos dias após o anúncio de um cessar-fogo entre Israel e o grupo extremista libanês Hezbollah.
Khalil, repórter de 42 anos do jornal libanês Al-Akhbar, e a cinegrafista freelancer Zeinab Faraj haviam se refugiado em um prédio depois que um ataque israelense atingiu um veículo que trafegava à frente do carro em que estavam.
Em seguida, o prédio também foi bombardeado. Faraj foi resgatada, mas as autoridades libanesas acusaram o Exército israelense de dificultar os esforços para salvar Khalil enquanto ela ainda estava viva.
A Human Rights Watch afirmou que os ataques israelenses “incluíram ataques aparentemente deliberados contra civis e bens de caráter civil, o que os caracterizaria como crimes de guerra”.
A Anistia Internacional, por sua vez, denunciou um “ataque direto contra civis que deve ser investigado como crime de guerra”.
As duas organizações afirmaram que o Exército israelense “sabia ou deveria saber” que as duas eram civis, observando que drones israelenses estavam presentes na área no momento do ataque.
Já a The Legal Agenda concluiu que as ações das forças militares israelenses “constituem crimes de guerra e graves violações do Direito Internacional Humanitário”.
Na ocasião, o Exército israelense afirmou ter atingido um veículo “que havia saído de uma estrutura militar usada pelo Hezbollah” e disse que, “posteriormente, a estrutura da qual os indivíduos haviam fugido também foi atingida”.
As forças israelenses também negaram ter impedido que equipes de resgate chegassem ao local.
A Anistia informou que o Exército israelense respondeu que “o incidente passou por uma análise preliminar, e as lições pertinentes foram implementadas de acordo com as conclusões”, acrescentando que “lamenta qualquer dano causado a jornalistas”.
As Forças Armadas disseram ainda que, antes de cada ataque, avaliam as circunstâncias operacionais do momento, incluindo a natureza e o uso militar do alvo, as informações de inteligência disponíveis em tempo real, os possíveis danos colaterais e as medidas que podem ser adotadas para mitigá-los. Segundo o Exército israelense, avisos prévios também são emitidos quando isso é operacionalmente viável.
Khalil era uma correspondente veterana do Al-Akhbar e cobria regularmente o sul do Líbano, tanto depois que o Hezbollah arrastou o país para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, ao atacar Israel, quanto durante o conflito anterior, entre 2023 e 2024.
Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, “15 jornalistas e profissionais da imprensa foram mortos por Israel” no Líbano desde outubro de 2023.
Naquele mês, o jornalista da Reuters Issam Abdallah foi morto em um ataque israelense que também deixou outras seis pessoas feridas, entre elas os jornalistas da AFP Dylan Collins e Christina Assi, que precisou amputar uma perna.
Heba Morayef, da Anistia Internacional, afirmou que “a impunidade de que desfrutam as forças israelenses pela morte de jornalistas e outros civis no Líbano ao longo dos últimos três anos permitiu que as forças militares israelenses continuassem realizando ataques aéreos ilegais, incluindo ataques diretos contra civis”.




