Queda de avião em Vinhedo, no interior de São Paulo, matou 62 pessoas em 2024
Estadao Conteudo | 16:11 – 06/08/2026

Anos antes de o acidente com um avião da Voepass matar 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já teria recebido alertas sobre falhas graves de manutenção nas operações da companhia aérea, segundo reportagem do Fantástico.
A partir de 2019, um ex-inspetor da agência denunciou, de acordo com o programa da TV Globo, o reaproveitamento irregular de peças sem laudo de segurança e problemas relacionados à aeronavegabilidade de aviões da empresa. Em vez de suspender as operações, a Anac teria ignorado as recomendações e, posteriormente, exonerado o agente.
O Estadão não conseguiu localizar as assessorias de imprensa da Anac e da Voepass na noite deste domingo. Ao Fantástico, a agência informou que abrirá um processo interno para apurar a responsabilidade de servidores. A companhia aérea afirmou à emissora que a segurança sempre foi prioridade.
O ex-funcionário move uma ação judicial contra a Anac na qual relata as falhas que teria identificado e também acusa dirigentes da agência de perseguição.
Na semana passada, a Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o acidente e citou suspeitas de falhas na fiscalização, mas não indiciou servidores da Anac. A atuação da agência ainda será alvo de investigação pelas autoridades federais.
Documentos obtidos pelo Fantástico mostram que o ex-inspetor, exonerado em 2025 após 16 anos de serviço, já havia feito alertas sobre problemas na Voepass e reclamado de perseguição dentro do órgão regulador.
Em 2019, ele recomendou a suspensão da autorização de voo da MAP Linhas Aéreas, empresa que mais tarde se fundiu à Passaredo para formar a Voepass. Segundo a reportagem, havia indícios de uso de peças sem avaliação adequada de aeronavegabilidade. A recomendação, no entanto, não teria sido acatada.
Em 2022, o inspetor voltou a fazer uma denúncia. Ele afirmou que peças de um avião envolvido em um acidente em Rondonópolis (MT), em 2016, teriam sido reaproveitadas de forma irregular. Sobre esse episódio, a Anac declarou à TV Globo que as peças foram verificadas e que as normas regulatórias haviam sido cumpridas.
O servidor também enviou e-mails a órgãos internacionais, entre eles a FAA, dos Estados Unidos, e a EASA, da União Europeia. A Anac, porém, desautorizou sua atuação perante essas entidades e abriu, em 2023, um processo interno por insubordinação. Ele acabou exonerado dois anos depois.
Testemunha cita suspeita de propina
A Polícia Federal informou ainda que um mecânico de pista da Voepass, ouvido como testemunha na investigação, mencionou suspeita de pagamento de propina pela companhia a funcionários da Anac.
Segundo o relato, o mecânico estranhou ter sua autorização de trabalho suspensa mesmo após ser aprovado em um curso de reciclagem exigido. Ele disse acreditar que a medida teria como objetivo afastá-lo da pista por “criar muito caso”, já que se recusava a liberar aeronaves que, segundo ele, apresentavam problemas.
A PF vai encaminhar a íntegra da investigação à Procuradoria da República no Distrito Federal para que seja analisada a possível prática de atos de improbidade administrativa por integrantes da agência.
De acordo com o relatório, a Anac já havia identificado, antes do acidente de 2024, “diversas não conformidades técnicas e não procedimentais relacionadas à manutenção das aeronaves” da companhia.

Queda de avião em Vinhedo, no interior de São Paulo, matou 62 pessoas em 2024
Estadao Conteudo | 16:11 – 06/08/2026
Quando você clica no botão "Aceito", você está concordando com os| Políticas de Privacidade | Seus dados serão tratados de acordo com as diretrizes estabelecidas no documento, garantindo sua privacidade e segurança online.
Fale conosco