
A ONU alerta para uma situação cada vez mais tensa na Cisjordânia, com “colonos israelenses tentando tomar terras” de palestinos que vivem no local.
Nesta quinta-feira, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu às autoridades israelenses para que ajudem as famílias palestinas confinadas em suas casas há dias.
Segundo relatos, os Estados Unidos têm se envolvido nos esforços para acabar com o cerco que começou no domingo. O embaixador do país em Israel, Mike Huckabee, pediu a retirada do que chamou “um ato horrível de terror”.
Três famílias palestinas, cerca de 15 pessoas no total, incluindo pelo menos duas crianças, permanecem trancadas em suas casas aterrorizadas na área de Ras al Ein, na vila de Qusra.
Segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU, os colonos cortaram o fornecimento de energia e água.
Em nota, o órgão afirmou que essas “ações criminosas” estão tornando a vida insuportável para essas famílias.
O chefe do Escritório da ONU no Território Palestino, Ajith Sunghay, explicou à ONU News que as famílias foram posteriormente transferidas para uma única casa, que permanece cercada por colonos israelenses.
Ele afirmou que “mais uma vez, as Forças de Defesa de Israel são incapazes ou não estão dispostas a proteger as comunidades palestinas, o que se espera que façam de acordo com a Convenção de Genebra”.
O representante da ONU adicionou que cerca de 20 famílias palestinas de Qusra foram evacuadas por soldados das Forças de Defesa de Israel “por motivos de segurança”.
O Escritório de Direitos Humanos contou que os palestinos que vivem em Qusra têm sido alvo de ataques cada vez mais frequentes, desde novembro de 2025, quando colonos israelenses estabeleceram um posto avançado nas proximidades.
A agência ressaltou que, embora os soldados israelenses tenham desmantelado as tendas dos colonos na quarta-feira, eles continuaram cercando as casas dos palestinos.
Sunghay observou que os eventos dramáticos em Qusra ocorrem em paralelo a outros incidentes profundamente preocupantes, provocados por colonos, na Cisjordânia.
Segundo ele, isso inclui a medida tomada pelas IDF, na terça-feira, de isolar a cidade de Taybeh, impedindo o acesso de pessoas que não residem lá, supostamente para protegê-las de ataques de colonos israelenses.
Para o representante da ONU, outro episódio emblemático foi a ocupação de Ganim por colonos israelenses. Este é um dos quatro assentamentos no norte da Cisjordânia que foram evacuados em 2005.
Na quinta-feira, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, divulgou novos dados sobre “violência e o assédio” por parte dos colonos israelenses em toda a Cisjordânia, inclusive nas colinas do sul de Hebron e no Vale do Jordão.
A agência observou que as forças israelenses estenderam a ordem de bloqueio militar que afeta os campos de Tulkarm e Nur Shams, no norte da Cisjordânia, até 30 de setembro de 2026, e o campo de Jenin até 20 de agosto de 2026.
A medida é uma renovação de ordens de fechamento anteriores que restringiram severamente o acesso aos campos, em grande parte esvaziados.
Atualmente, mais de 34 mil refugiados palestinos permanecem deslocados à força dos campos de Tulkarm, Nur Shams e Jenin, em decorrência da operação “Muro de Ferro” do exército israelense, iniciada em janeiro de 2025.
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