Nicolás Petro, filho do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que a campanha do pai à presidência em 2022 recebeu dinheiro de um homem condenado por tráfico de drogas. A fala foi feita no âmbito de um processo do Ministério Público do país em que Nicolás é acusado de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.
O filho de Petro “recebeu altas somas de dinheiro por parte do senhor Samuel Santander López Sierra, conhecido como ‘o homem Marlboro'”, disse o procurador Mario Burgos, durante audiência nesta quinta (3). López Sierra foi condenado por tráfico de drogas nos Estados Unidos. “Uma parte desse dinheiro foi utilizado pelo senhor Nicolás Fernando Petro Burgos, e outra parte foi usada na campanha presidencial de 2022”, disse o procurador.
Detido desde o último sábado, Nicolás, 37, negou inicialmente as acusações na quarta-feira (2), mas mudou de tom e afirmou que havia decidido “iniciar um processo de colaboração”.
A ação ocorre às vésperas do mandato de Gustavo Petro completar um ano. Nicolás é acusado pela Promotoria por “adquirir, ocultar, encobrir e dar aparência de legalidade” a recursos obtidos de forma irregular, além de “incrementar de forma injustificada” seu patrimônio.
Segundo o procurador, López Sierra deu a Nicolás 400 milhões de pesos colombianos (cerca de R$ 500 mil). Alfonso Hilsaca, acusado no passado pela Procuradoria por financiar grupos paramilitares e planejar homicídios, também o teria entregado a mesma quantia.
Em março, a ex-mulher de Nicolás, Daysuris Vásquez, também presa no sábado acusada de lavagem de dinheiro, havia dito à imprensa local que duas pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico de drogas deram dinheiro a Nicolás para alimentar a campanha de seu pai.
Ex-deputado pelo departamento de Atlântico, no norte do país, Nicolás havia elogiado a investigação quando ela começou, em março deste ano, e já havia afirmado que eram infundadas as acusações de que recebeu dinheiro de traficantes em troca da inclusão deles em acordos de paz que Gustavo Petro vem tentando promover.




