Nesta semana, no dia seguinte à vitória do Manchester City sobre o Tottenham, que colocou a equipe de Pep Guardiola na liderança da Premier League a uma rodada do fim, jornais britânicos traziam a mesma frase: “O City está com uma das mãos na taça”. Eu diria que já está com as duas.
Só um desastre tira o título deles. Seria o primeiro clube inglês a conquistar quatro seguidos da liga, o sexto nas últimas sete temporadas. Deve ser dura a vida de qualquer outro torcedor, especialmente o do Arsenal.
O Campeonato Inglês termina neste domingo, com todas as partidas disputadas no mesmo horário e a seguinte situação: o City, dois pontos à frente do Arsenal, conquista o título se vencer o West Ham –o que tem tudo para acontecer. Se empatar e o time de Londres vencer o Everton, se igualam em pontos e o desempate é no saldo de gols. Por enquanto, o Arsenal tem um a mais (nenhum problema em mudar esse cenário para quem tem Erling Haaland e Kevin de Bruyne). Ou seja, a equipe de Mikel Arteta, que fez ótima temporada e foi líder por parte dela, agora depende de um tropeço improvável do rival para ser campeão depois de 20 anos.
O atropelo do City nos últimos anos só foi interrompido pelo Liverpool de Jürgen Klopp, em 2020. Klopp, aliás, vai deixar o clube depois de oito anos e meio, um título do Campeonato Inglês, outro da Liga dos Campeões e com a equipe classificada para a próxima Champions. Vai ser um momento marcante e triste aqui na Inglaterra.
Voltando a Manchester, é preciso dar todos os méritos a uma equipe que ganha quase tudo, ano após ano, e sempre quer mais; que tem jogadores sensacionais e um treinador revolucionário. Mas é impossível não pensar que isso deixa o futebol inglês mais previsível.
Há um ano, fiz uma coluna intitulada: “A Premier League virou o campeonato de um clube só.” Questionei se tanto poder era bom ou ruim para o esporte e, naquele 19 de maio, escrevi o que acreditava que aconteceria dias depois: “Domingo, 21 de maio de 2023. O Manchester City vence o Chelsea em casa e conquista a Premier League pela quinta vez em seis anos, com duas rodadas de antecedência”. Aconteceu.
O clube bilionário, com sua fortuna de Abu Dhabi, fascina, encanta e, ao mesmo tempo, faz muita gente torcer o nariz para ele. Críticas do ano passado pelo fato de o City estar sendo investigado, acusado de quebrar mais de cem vezes as regras financeiras da Premier League, continuam. O processo ainda está em andamento.
O que eu escreveria se esta coluna fosse publicada neste domingo de manhã? “Estamos em 19 de maio de 2024, o City vai vencer o West Ham em casa e ser campeão.” Não vou torcer contra, mas seria bem mais emocionante se, desta vez, fosse diferente.
Mesmo diante do que está por vir, parte da imprensa inglesa ainda diz que tudo pode acontecer na última rodada. Claro, é preciso manter a mística do campeonato mais disputado do planeta. Pelo menos movimenta a economia, incentiva quem mora aqui a ir ao pub no domingo e assistir a várias partidas ao mesmo tempo em televisões e telões diferentes, vibrando com uma pint de cerveja na mão.
Ou será que até nesse caso o esporte pode mesmo ser imprevisível? Eu poderia aproveitar um dos raros dias de sol em Londres e ir a um parque, ficar ao ar livre. Afinal, depois de um longo inverno, os termômetros finalmente ultrapassam os 20 graus.
Mas, por via das dúvidas, já reservei uma mesa no meu pub local.




