Espanha, Irlanda e Noruega anunciaram nesta quarta-feira (22) a decisão de reconhecer a Palestina como Estado no final do mês, e esperam que outros países os imitem.
O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, foi o primeiro a anunciar a decisão em Oslo, onde foram negociados os acordos fracassados para obrigar israelitas e palestinianos a aceitar a coexistência pacífica entre dois Estados independentes.
Afirmando que o seu país dará esse passo em 28 de maio, Støre fez um “forte apelo” a outros países para que façam o mesmo.
Chamando este dia de “histórico e importante”, o primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, anunciou a sua decisão pouco depois, tal como o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, perante o Parlamento em Madrid.
“(O primeiro-ministro israelense Benjamin) Netanyahu não tem um projecto de paz para a Palestina”, disse o socialista Sánchez, uma das vozes mais críticas na União Europeia contra a operação militar lançada por Israel após o ataque sem precedentes do Hamas em 7 de uutubro.
“Combater o grupo terrorista Hamas é legítimo e necessário (…), mas Netanyahu gera tanta dor e destruição, e tanto ressentimento em Gaza e no resto da Palestina, que a solução de dois Estados está em perigo”, disse Sánchez
Formalmente, a medida será adotada através de um decreto que deverá ser aprovado na próxima reunião do Conselho de Ministros espanhol.
Outros países europeus podem aderir à iniciativa de Madrid, Dublin e Oslo.
Em março, os líderes da Eslovénia e de Malta assinaram uma declaração conjunta em Bruxelas com Madrid e Dublin, expressando o desejo de fazer o mesmo.
O governo esloveno adotou um decreto nesse sentido em 9 de maio, com a intenção de enviá-lo ao parlamento para aprovação até 13 de junho.
REAÇÃO
Israel reagiu rapidamente e chamou de volta os seus embaixadores na Noruega e na Irlanda para consultas.
“Hoje envio uma mensagem forte à Irlanda e à Noruega: Israel não permanecerá calado face a isto”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Israel Katz, em um comunicado.
“Os passos precipitados dos dois países terão consequências mais graves”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, que alertou que tomariam uma medida semelhante se a Espanha aderisse.
Do lado do Hamas, um alto funcionário saudou os anúncios de Espanha, Irlanda e Noruega e afirmou que estes foram possíveis graças à “corajosa resistência” do povo palestino.
“Esses sucessivos reconhecimentos são o resultado direto desta corajosa resistência e da lendária perseverança do povo palestiniano. Acreditamos que será um ponto de virada na posição internacional sobre a questão palestiniana”, disse Bassem Naim, um alto funcionário. do gabinete político do movimento islâmico palestino.




